Mel do Amapá conquista mercado europeu após acordo histórico em feira de Dubai
Mel do Amapá chega à Europa após feira em Dubai

Mel do Amapá conquista mercado europeu após acordo histórico em feira de Dubai

A produção de mel do Amapá alcançou um marco significativo ao adentrar o mercado internacional, com um acordo firmado durante a feira Gulfood, em Dubai, considerada uma das maiores do setor de alimentos do mundo. Essa conquista abre caminho para a exportação do produto amazônico para a Europa, fortalecendo a chamada rota do mel e promovendo a economia local.

Parceria estratégica para exportação

A iniciativa envolve uma colaboração entre cooperativas brasileiras, incluindo a Coorpermel Amapá, primeira cooperativa de apicultores do estado, a Coopemapi, de Minas Gerais, e a Carpil, de Alagoas. O modelo permite que o mel produzido no Amapá utilize estruturas já consolidadas de beneficiamento e processamento, atendendo às rigorosas exigências do mercado europeu.

Na primeira etapa, a previsão é exportar entre cinco e dez toneladas de mel para a Itália até o fim de 2026. Esse volume representa não apenas um avanço quantitativo, mas também uma evolução na organização da cadeia produtiva, ao integrar os apicultores amazônicos a padrões internacionais de qualidade.

Impacto econômico e social

Segundo o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, a iniciativa fortalece a economia local. “A rota do mel já é uma realidade. Vai gerar emprego e renda, assim como o cacau, o açaí, o pescado e a castanha”, afirmou. O acordo contou com acompanhamento do ministério, conectando a produção amazônica a mercados internacionais de forma estratégica.

O presidente da Coopermel Amapá, Júlio César Avelar, destacou que a cooperativa produziu entre seis e sete toneladas em 2025, de forma artesanal, e agora se prepara para atender às exigências da União Europeia. “Vamos fornecer entre cinco e dez toneladas de mel certificado, com toda a análise que o mercado europeu pede. Voltamos da feira com resultado maravilhoso e muito aprendizado”, disse.

Desafios e expectativas futuras

Avelar explicou que a safra no Amapá ocorre entre agosto e dezembro, com pico em outubro e novembro. Até junho, os produtores devem passar por processos de certificação e rastreabilidade. “Eles vão mandar uma equipe ao Amapá para nos auxiliar. O mercado europeu exige seriedade no manejo e alto valor agregado”, completou.

A expectativa é que essa primeira exportação abra portas para novos mercados e aumente a escala de produção no estado. “Queremos mostrar que o Amapá também tem mel de qualidade. Nosso objetivo é crescer com responsabilidade, oferecendo um produto certificado e com história por trás”, afirmou Avelar. Essa conquista não só valoriza o produto local, mas também posiciona o Amapá como um player relevante no cenário global de alimentos sustentáveis.