Mato Grosso lidera conflitos por terra no Centro-Oeste em 2020, aponta CPT
Mato Grosso lidera conflitos por terra no Centro-Oeste em 2020

Mato Grosso foi o estado com mais casos de conflito por terra em 2020 no ranking dos estados do Centro-Oeste, segundo dados divulgados pela Comissão Pastoral da Terra no Mato Grosso (CPT-MT) nesta terça-feira (27). A 35ª edição do relatório Conflitos no Campo Brasil 2020 reúne informações sobre as violências sofridas por trabalhadores rurais, indígenas, quilombolas e demais povos tradicionais do campo.

O Centro de Documentação da CPT Dom Tomás Balduino (CEDOC) documentou e sistematizou 1.608 ocorrências de conflitos por terra em todo o Brasil em 2020, o maior número desde 1985, quando o relatório começou a ser publicado. Esse número representa um aumento de 25% em relação a 2019 e de 57,6% em comparação a 2018. Esses conflitos envolveram 171.968 famílias.

As ocorrências de conflito por terra incluem casos de pistolagem, expulsão, despejo, ameaça de expulsão, ameaça de despejo, invasão, destruição de roças, casas e bens. Mato Grosso lidera entre os estados do Centro-Oeste e ocupa a 3ª posição no país nesse quesito.

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Aumento expressivo em Mato Grosso

De acordo com a CPT, em 2020 ocorreram 169 ocorrências de conflitos por terra em Mato Grosso, um aumento de 96% em relação a 2019, quando foram registrados 86 casos. A Pastoral também registrou 13.029 famílias envolvidas nesse tipo de conflito.

Embora tenha havido uma diminuição nas ações de expulsão, despejos judiciais, ameaças e tentativas de despejos em comparação a 2019, a CPT observa que essas ações foram mais violentas. Um reflexo disso é o número de destruição de casas, que chegou a 324, um aumento de 101%. O número de roças destruídas alcançou 419, um crescimento de 498%; a destruição de bens chegou a 1.151, um acréscimo de 2%; e as invasões de territórios saltaram de 2.288 em 2019 para 6.916 em 2020, uma alta de 202%.

Em Mato Grosso, a Pastoral da Terra também computou 719 ações de pistolagem contra os povos do campo. Os casos de grilagem de terras públicas foram de 869, um aumento de 13% em relação a 2019. O número de famílias ameaçadas por despejos judiciais foi de 1.184, e as famílias que sofreram ameaças de expulsão de seus territórios totalizaram 1.238. O total de despejos judiciais no estado foi de 474.

Conflitos por água também crescem

Outro tipo de conflito que teve grande aumento em Mato Grosso em 2020 foram os relacionados à água, que também deixaram o estado em primeiro lugar no Centro-Oeste. O número passou de 4 em 2019 para 22 em 2020, impactando 3.091 famílias. Em 2019, o quantitativo de famílias envolvidas havia sido de 311, o que representa um crescimento de 893% entre os dois anos. Esses dados colocam Mato Grosso em primeiro lugar no Centro-Oeste também nesse quesito. Em todo o Brasil, foram registrados 350 conflitos por água, envolvendo 56.292 famílias.

Cenário nacional de violência

Os estados de Rondônia e Pará lideram o número de assassinatos por conflitos agrários no país em 2025, ambos com 7 mortes cada, segundo o relatório anual da CPT divulgado nesta segunda-feira (27). Um dos casos citados é um massacre ocorrido em junho de 2025 em Vilhena (RO), onde o assessor de vereador Álex Oliveira, 44 anos, sua esposa Luciana Cristiano de Souza, 36 anos, e o caseiro Josenir Vieira de Oliveira foram encontrados mortos. A CPT classifica Josenir como posseiro e as outras duas vítimas como aliados.

Rondônia segue como um dos estados que mais mata trabalhadores sem terra. Dados da série histórica entre 2016 e 2025 mostram que Pará e Rondônia concentram 79,84% dos assassinatos de pessoas sem terra no período.

Aumento dos assassinatos

Em comparação com o ano anterior, os assassinatos por conflitos no campo dobraram no Brasil, passando de 13 para 16 ocorrências. A Região Norte concentra pouco mais de 61% dos casos. Em Rondônia, houve um aumento de 600% nas mortes em relação a 2024, o maior entre os estados da federação.

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Casos sem solução

Mortes ligadas a conflitos agrários em Rondônia seguem sem solução após mais de 10 anos. Assassinatos de lideranças, trabalhadores rurais e denunciantes de grilagem de terras e exploração ilegal de madeira continuam impunes, mesmo com investigações da Polícia Federal. Entre os casos estão os de Renato Nathan Gonçalves, Gilson Gonçalves, Élcio Machado, Dinhana Nink, Gilberto Tiago Brandão, Isaque Dias Ferreira, Edilene Mateus Porto e Daniel Roberto Stivanin.