Feijão Carioca: A História do Grão que Conquistou 60% dos Brasileiros
Feijão Carioca: História do Grão Preferido do Brasil

Feijão Carioca: A Trajetória do Grão que Domina a Mesa Brasileira

Nesta terça-feira, 10 de outubro, celebra-se o Dia Mundial do Feijão, uma data estabelecida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em 2019. O objetivo é destacar a importância nutricional e cultural desse alimento, que está presente na rotina alimentar de 60% dos brasileiros, conforme dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Entre as variedades, o feijão carioca se destaca como a preferência nacional, com uma história fascinante que remonta aos anos 1960.

Origens e Descoberta Acidental

Em 1963, na fazenda Bom Retiro, localizada em Ibirarema, no interior de São Paulo, o engenheiro agrônomo Waldimir Coronado Antunes cultivava a variedade chumbinho, caracterizada por grãos marrom-escuros e uniformes. Durante o trabalho, ele e seu tio notaram plantas com grãos distintos: listrados e manchados de preto sobre um fundo claro. Essa mutação natural foi selecionada por Antunes através de um processo conhecido como seleção massal, dando início ao desenvolvimento do que viria a ser o feijão carioca.

Nomenclatura e Identificação Oficial

Em agosto de 1966, amostras do novo feijão foram enviadas ao Instituto Agronômico (IAC) em Campinas, São Paulo, recebendo a identificação I-38700. Segundo Gerson Cazentini Filho, coordenador da seção de Sementes e Mudas da Cati, o nome carioca surgiu devido à semelhança com a raça do porco caipira carioca, observada na região. A coloração única, com faixas marrons sobre fundo claro, inspirou essa analogia, consolidando a nomenclatura que perdura até hoje.

Características e Desenvolvimento como Cultivar

O feijão carioca é classificado como uma cultivar, ou seja, uma planta desenvolvida e selecionada por características específicas, como cor, produtividade, sabor e resistência a pragas. Após testes, destacou-se pela tolerância a doenças foliares e pelo cozimento rápido. Luiz D'Artagnan de Almeida, conhecido como o pai do carioquinha, foi fundamental na reprodução e multiplicação do grão. Ele faleceu em 2 de janeiro de 2026, aos 84 anos, deixando um legado significativo para a agricultura brasileira.

Superação de Preconceitos e Popularização

Inicialmente, a coloração do feijão carioca não foi bem recebida pelos consumidores, acostumados a variedades mais tradicionais. Entre 1967 e 1969, testes demonstraram uma produtividade impressionante de 1.670 kg por hectare, superando as 1.280 kg das variedades existentes. Para popularizar a cultivar, foram realizadas campanhas e palestras explicando sua origem e benefícios. Em 1976, o feijão carioca já era o mais cultivado e comercializado em São Paulo, e atualmente representa 85% do mercado nacional, segundo estudos especializados.

Benefícios e Impacto na Alimentação

Gerson Cazentini Filho destaca as principais características que tornaram o feijão carioca essencial na dieta brasileira:

  • Fonte de proteína acessível e de baixo custo
  • Alta produtividade e adaptação às regiões produtoras
  • Sabor que combina perfeitamente com pratos como arroz
  • Rápida difusão e aceitação por produtores e consumidores

Esses fatores contribuíram para que o grão se tornasse um alimento imprescindível, garantindo segurança nutricional e alimentar.

Cultivo e Importância Econômica

O cultivo do feijão carioca exige rotação anual de cultura devido à sua demanda por fertilidade do solo. Atualmente, o plantio é realizado em grandes áreas com irrigação por pivô central e colheita mecanizada, alcançando alta produtividade. Embora São Paulo tenha sido o grande disseminador, a plantação ocorre em diversas regiões do Brasil, com foco na exportação. A disponibilidade de sementes viabiliza a venda para outros países, oferecendo proteína de qualidade a populações subnutridas, conforme salienta Cazentini Filho.

Em resumo, o feijão carioca é mais do que um simples grão; é um símbolo da inovação agrícola brasileira, que superou desafios para se tornar um pilar da alimentação nacional, celebrado no Dia Mundial do Feijão.