Estiagem no Rio Grande do Sul impacta safra de verão e provoca recuo na produção agrícola para 2026
A safra de verão do Rio Grande do Sul enfrenta um cenário desafiador, com uma queda geral de 7% na produtividade projetada para 2026. A previsão foi divulgada pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) durante a Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, nesta segunda-feira (10). A produção total estimada é de 32,8 milhões de toneladas, uma redução significativa em comparação com a projeção inicial de 35,3 milhões de toneladas anunciada em agosto de 2025.
Estiagem e altas temperaturas são os principais vilões da safra
A principal causa para essa perda de produtividade é a estiagem que assolou o estado em janeiro, combinada com altas temperaturas e falta de chuvas em um período crucial para a colheita. A Emater destacou perdas mais expressivas em regiões como Santa Rosa, com uma queda de 27%, e Ijuí, com redução de 13% nas lavouras. Essas condições climáticas adversas têm impactado diretamente o desempenho das culturas.
Soja sofre o maior impacto com recuo de 11,3% na produção
O maior impacto da estiagem recai sobre a soja, principal grão cultivado no estado, que ocupa uma área de 6,6 milhões de hectares. A produção estimada pela Emater é de pouco mais de 19 milhões de toneladas, representando uma redução de 11,3% em relação ao previsto no início do ciclo da safra. Além disso, a área plantada também sofreu uma redução de 1,7% da projetada inicialmente, agravada por dificuldades como baixas temperaturas, umidade inadequada e problemas de acesso ao crédito para os produtores.
Outras culturas também registram quedas significativas
Arroz: A cultura do arroz apresenta um recuo, com diminuição de 3% na área semeada e na produção. A projeção atual é de 7,7 milhões de toneladas do cereal, volume 3,1% menor do que as 8 milhões de toneladas previstas anteriormente.
Feijão: O feijão primeira safra teve uma queda de produção de 46 mil para 41 mil toneladas, uma redução de 11,6%. Já o feijão segunda safra viu sua estimativa cair de 16,3 mil toneladas para 11,6 mil toneladas, representando uma redução de 28,6% na produção. Essas perdas foram impulsionadas pela perspectiva de estiagem, que aumenta o risco para o cultivo, e pelo preço pago ao produtor.
Milho é a exceção com crescimento na produção
Entre as principais culturas cultivadas no solo gaúcho, apenas o milho deve apresentar crescimento. O levantamento da Emater indica um aumento de 2,3% na área plantada e de 3% na produtividade. A estimativa de colheita passa para 5,9 milhões de toneladas, com 803 mil hectares de milho no estado, oferecendo um alívio parcial em meio às perdas generalizadas.
Expodireto Cotrijal discute cenários do agronegócio
A Expodireto, realizada em Não-Me-Toque, é uma das maiores feiras do agronegócio do país, reunindo representantes de 70 países. O evento serve como um fórum crucial para discutir cenários do setor e apresentar tecnologias voltadas ao aumento da eficiência no campo, especialmente em tempos de desafios climáticos como a estiagem atual.



