Escassez de bezerros desafia confinamentos em São Paulo e eleva custos para pecuaristas
Escassez de bezerros eleva custos para pecuaristas em SP

Escassez de bezerros impõe desafios aos confinamentos no interior de São Paulo

A oferta restrita de bezerros tem dificultado a reposição de animais em confinamentos no interior de São Paulo, criando um cenário desafiador para pecuaristas e produtores da região. Essa situação surge após três anos de abate elevado de fêmeas no país, movimento que agora dá lugar à retenção de matrizes para recomposição do rebanho, reduzindo a disponibilidade de bezerros no mercado.

Impacto direto na capacidade dos confinamentos

Em um confinamento no município de Bálsamo (SP), com capacidade para 5 mil cabeças de gado, o número atual de animais está pouco acima da metade do total que a estrutura comporta. Para cumprir contratos com frigoríficos, os produtores precisam buscar bezerros até fora do estado, aumentando os custos logísticos e operacionais.

Segundo especialistas do setor, o momento é mais favorável para quem trabalha com cria e vende bezerros, enquanto os confinamentos, responsáveis pela fase de engorda, enfrentam custos maiores para adquirir os animais. Eles também precisam investir em estratégias de alimentação para garantir desempenho na terminação, o que eleva ainda mais as despesas.

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Aumento do ágio do bezerro e estratégias de compensação

O chamado ágio do bezerro, valor pago acima do equivalente ao preço da arroba do boi gordo, tem aumentado significativamente. Em algumas regiões do país, a diferença passou de cerca de 30% em meados de 2025 para perto de 35% neste ano, pressionando ainda mais os custos de produção.

Para compensar os custos mais altos de reposição, pecuaristas têm apostado em estratégias dentro das propriedades. Em uma fazenda em Mirassol (SP), por exemplo, o produtor investe no ganho de peso do rebanho e no aproveitamento de matrizes da raça Angus para produção de bezerros, buscando otimizar a eficiência e reduzir a dependência do mercado externo.

Contexto de mercado e perspectivas futuras

Com a arroba do boi gordo sendo negociada perto de R$ 350 em São Paulo, produtores também buscam entregar animais mais pesados para o abate, mas ainda jovens, para maximizar os lucros. A valorização da arroba não está ligada apenas à menor oferta de animais; a demanda interna aquecida e o volume recorde de exportações também influenciam o mercado.

Em 2025, o Brasil exportou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina, representando um crescimento de 20% no volume e de 40% no faturamento em relação a 2024. Em um frigorífico em Estrela d’Oeste (SP), cerca de 60% da produção é destinada ao mercado externo, principalmente para China e Europa, destacando a importância das exportações para a sustentação dos preços.

Apesar da menor oferta de gado para abate, a indústria mantém projeções positivas para o primeiro semestre. Especialistas avaliam que os próximos meses ainda devem refletir esse cenário de oferta mais restrita de animais e preços sustentados no mercado pecuário, exigindo adaptações contínuas dos produtores para enfrentar os desafios.

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