Produtores do RS intensificam despesca para abastecer peixes na Semana Santa
Com a aproximação da Semana Santa, uma tradição secular ganha força no interior do Rio Grande do Sul: a despesca. Este processo, que consiste na retirada dos peixes criados em açudes, é uma etapa crucial para garantir o abastecimento de feiras livres, mercados e supermercados durante o período religioso. O trabalho, que demanda força física e coordenação precisa, inicia muito antes do lançamento das redes nas águas.
Preparação e cuidados com a saúde dos peixes
Antes de qualquer ação, os animais passam por uma rigorosa avaliação de saúde. "É realizada uma vistoria minuciosa para verificar a ausência de doenças nos peixes. Caso estejam saudáveis, o produtor se organiza para realizar a despesca", explica Marcos Megier, presidente da Cooperativa Ijuí Peixes. Este cuidado é fundamental para assegurar a qualidade do produto que chegará às mesas dos consumidores.
Processo detalhado da captura
Para facilitar a captura, o nível do açude é reduzido em aproximadamente 70% um dia antes da operação. No dia seguinte, bem cedo, uma equipe especializada entra na água para puxar a rede de forma manual, concentrando os peixes em um ponto específico para a remoção. Após a captura, os peixes são transportados vivos até um abatedouro, onde passam por limpeza e congelamento antes de seguirem para o comércio.
Projeções e desafios climáticos
Em Ijuí, localizada no Noroeste do Rio Grande do Sul, a cooperativa projeta comercializar mais de 25 toneladas de peixe apenas durante o feriado da Semana Santa. Contudo, o sucesso da safra está diretamente ligado às condições climáticas. "Se começa a faltar chuva, a situação complica, mas se há chuva suficiente, é possível realizar o tratamento adequado", detalha o piscicultor Aldori Adão Noviski. Ele estima colher quase duas toneladas este ano, embora almejasse três.
Nova tendência de consumo e expectativas futuras
Este ano, uma nova tendência de consumo tem chamado a atenção no setor: a busca por peixes de porte menor. "Os consumidores estão solicitando peixes de até dois a três quilos, evitando exemplares muito grandes, o que também impacta nos valores", afirma Marcos Megier. Em 2025, o Rio Grande do Sul comercializou mais de 2,5 mil toneladas de peixe durante a Semana Santa, e a expectativa do setor é de crescimento nas vendas neste ano.
Nos açudes, o ciclo já recomeça para garantir o produto do próximo ano. "Talvez no próximo ano os peixes já atinjam 3 kg ou 4 kg, se o clima colaborar", projeta Aldori Noviski. Esta prática não só sustenta uma tradição cultural, mas também fortalece a economia local, demonstrando a resiliência e dedicação dos produtores gaúchos.
