Crise da Cebola: Mais Seis Municípios Catarinenses Decretam Emergência por Queda nos Preços
Crise da cebola: seis cidades de SC decretam emergência

Crise Agrícola em Santa Catarina: Municípios Decretam Emergência por Queda nos Preços da Cebola

A situação dos produtores de cebola em Santa Catarina atingiu um ponto crítico, levando seis municípios a decretarem situação de emergência nas últimas semanas. A medida, que busca proteger os agricultores locais, foi formalizada por cidades como Ituporanga, Atalanta, Chapadão do Lageado, Imbuia e Alfredo Wagner, todas enfrentando uma crise financeira severa devido à desvalorização do produto no mercado.

Impacto Direto na Rentabilidade dos Agricultores

Com economias fortemente dependentes do cultivo da cebola, essas localidades veem a rentabilidade dos agricultores ser diretamente prejudicada pela baixa nos valores de venda. Um estudo anexado ao decreto de Ituporanga revela dados alarmantes: o custo médio para produzir um quilo de cebola é de R$ 1,33, valor que atualmente não está sendo pago no mercado, deixando os produtores em situação insustentável.

As ações emergenciais têm como objetivo facilitar o acesso dos produtores a linhas de crédito especiais e permitir a renegociação de dívidas acumuladas. Além disso, os decretos autorizam as administrações municipais a adotarem medidas excepcionais, como a revisão de prazos administrativos, ampliação de programas de apoio e implementação de políticas públicas voltadas para o setor.

Santa Catarina: Pilar Nacional da Produção de Cebola

O estado de Santa Catarina desempenha um papel crucial no abastecimento nacional de cebola, responsável por cerca de 40% da produção que chega ao mercado brasileiro. Desse total, aproximadamente 30% tem origem no Alto Vale do Itajaí, com Ituporanga, reconhecida como a Capital Nacional da Cebola, contribuindo com cerca de 10% da produção estadual.

Ituporanga foi uma das primeiras cidades a reconhecer oficialmente o cenário de emergência, emitindo decreto no dia 9 de fevereiro. A medida tem validade inicial de 180 dias e poderá ser prorrogada conforme a evolução da crise. O reconhecimento da situação também permitirá que o município formalize pedidos de apoio técnico e financeiro junto a órgãos estaduais e federais.

Medidas Imediatas e Apoio aos Produtores

Além das ações já mencionadas, os decretos municipais preveem:

  • Suporte especializado para acesso a crédito rural;
  • Renegociação de dívidas com instituições financeiras;
  • Adoção de políticas públicas emergenciais;
  • Ampliação de programas de apoio à comercialização;
  • Revisão de prazos para obrigações fiscais e administrativas.

A crise, que se agravou em fevereiro deste ano, reflete um desequilíbrio entre os custos de produção e os preços de venda, colocando em risco a sustentabilidade de uma das atividades econômicas mais importantes para essas regiões. Enquanto os municípios buscam soluções imediatas, os agricultores aguardam medidas que possam reverter o cenário atual e garantir a continuidade de suas lavouras.