Excesso de chuvas compromete colheita de soja em Mato Grosso
O estado de Mato Grosso, maior produtor nacional de soja, enfrenta sérios desafios na colheita da safra 2025/2026 devido ao excesso de chuvas que tem atingido diversas regiões produtoras. Segundo comunicado divulgado pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) nesta quinta-feira (12), as condições climáticas adversas estão atrasando os trabalhos no campo e gerando alerta entre os produtores rurais.
Atrasos no plantio e na colheita preocupam setor
A situação é particularmente preocupante porque já houve atrasos significativos durante o plantio da safra, e agora os agricultores enfrentam novas dificuldades na fase de colheita. "O momento exige cautela e planejamento por parte dos produtores, que enfrentam desafios operacionais e fitossanitários na reta final do ciclo", destacou a Aprosoja em seu comunicado oficial.
Até o momento, apenas 39,61% da área prevista foi colhida no estado, enquanto o acumulado de chuvas varia entre 90 e 150 milímetros em várias regiões produtoras nos últimos quinze dias. A umidade excessiva no campo dificulta o acesso das máquinas agrícolas e pode causar perda de peso e qualidade dos grãos de soja.
Impactos na segunda safra de milho e pressão de pragas
O plantio da soja ocorreu em uma janela mais demorada este ano, o que pode resultar em atrasos na colheita em algumas regiões e impactar diretamente a janela ideal para o plantio do milho segunda safra. Até o momento, o plantio de milho já alcançou mais de 28% da área prevista, mas a tendência é que o ritmo desacelere nas próximas semanas, refletindo o atraso da colheita de soja.
A Aprosoja chama atenção ainda para o aumento da pressão de pragas e doenças nas áreas de ciclo mais tardio, incluindo:
- Percevejo
- Mosca-branca
- Ferrugem asiática
Essas pragas podem comprometer a produtividade final, especialmente nas lavouras que serão colhidas mais ao fim da janela agrícola.
Relatos dos produtores e perspectivas climáticas
Em municípios como Vera, a situação varia entre os produtores. Alguns já colheram cerca de 80% da área, enquanto outros mantêm aproximadamente metade da produção ainda no campo, enfrentando dificuldades para avançar com os trabalhos. Um produtor relatou à Aprosoja que, quando o tempo abre e o sol aparece, a colheita é feita com 30% de umidade nos grãos para evitar perdas maiores.
Para a próxima semana, as projeções meteorológicas apontam acumulados entre 65 e 95 milímetros em boa parte do estado, o que pode limitar temporariamente o avanço das máquinas agrícolas e prolongar ainda mais os atrasos na colheita.
Os impactos financeiros na cadeia produtiva são uma preocupação constante, já que Mato Grosso lidera a produção nacional em uma safra que deve superar 350 milhões de toneladas. A combinação de atrasos no plantio, excesso de chuvas na colheita e pressão de pragas cria um cenário desafiador para os produtores mato-grossenses, que dependem de uma melhora nas condições climáticas para garantir o avanço dos trabalhos no campo.