O café solúvel do Brasil pode ter sua tarifa de importação elevada de 10% para 25% pelos Estados Unidos, conforme relatório preliminar do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA). A medida, que pode entrar em vigor em 15 de julho, ameaça as exportações brasileiras para o principal mercado consumidor do produto.
Historicamente, os EUA lideram as compras de café solúvel brasileiro. Segundo Marcos Matos, diretor-executivo do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), o momento exige uma ação intersetorial para negociar um acordo bilateral que amplie a lista de exceções e inclua o café solúvel. Ele destaca que o Brasil tem déficit comercial com os americanos como moeda de troca.
Dados do Cecafé mostram que, de janeiro a abril, as exportações de café para os EUA caíram 41,5%, embora o café verde, que representa mais de 90% dos embarques, não seja taxado desde novembro. No entanto, o café verde também enfrenta ameaças devido a uma denúncia sobre condições trabalhistas na cafeicultura brasileira, que o presidente do Cecafé classifica como 'grande distorção'.
A ABICS e a National Coffee Association, em parceria com o Cecafé, buscam representação junto às autoridades americanas para evitar a sobretaxa. A BSCA (Associação Brasileira de Cafés Especiais) manifestou preocupação com os impactos na cadeia produtiva e afirmou que manterá contato com governos e parceiros para esclarecer dúvidas e buscar isenção para todos os tipos de café do Brasil.



