A origem e expansão da raça Brangus
A raça Brangus representa uma conquista significativa na pecuária moderna, tendo sido desenvolvida especificamente para oferecer carne de excelente qualidade enquanto mantém características de rusticidade essenciais para a criação. Sua história remonta a pouco mais de um século atrás, nos Estados Unidos, onde pesquisadores realizaram o cruzamento estratégico entre as raças Angus e Brahman. O próprio nome Brangus é uma homenagem direta a essa fusão genética bem-sucedida, que rapidamente ganhou reconhecimento internacional.
O sucesso dessa raça se espalhou por diversos países, encontrando terreno fértil especialmente em regiões de clima quente. No Brasil, o oeste paulista, conhecido por suas temperaturas elevadas durante boa parte do ano, se tornou um dos principais polos de criação da Brangus. A adaptação ao calor é uma das características mais valorizadas pelos pecuaristas locais.
Exemplo prático no oeste paulista
Na fazenda da família de Henrique de Almeida, localizada nessa região, o rebanho de Brangus ultrapassa impressionantes 5 mil cabeças. A maioria do gado é composta por vacas acompanhadas de seus bezerros, criadas de maneira extensiva e natural. Os animais permanecem soltos nos pastos, com acesso garantido a água fresca e áreas de sombra, condições que favorecem seu bem-estar e desenvolvimento.
O objetivo principal dessa criação vai além da simples reprodução; trata-se de um trabalho contínuo de melhoramento genético. "São animais que performam bem, cobrem vaca a campo e entregam carne de qualidade. As duas principais características da raça Brangus são rusticidade e qualidade de carne", explica o pecuarista Henrique de Almeida, destacando os atributos que tornam a raça tão especial.
O processo de abate e comercialização
Quando o assunto é abate, os criadores seguem critérios rigorosos para garantir o melhor produto final. A preferência recai sobre novilhas que tenham a partir de 22 meses de idade e pesem mais de 500 kg. Essa fase é considerada ideal para comercialização, pois combina maturidade adequada com características desejáveis na carne.
O zootecnista e professor Marco Aurélio detalha: "Este método proporciona um acabamento mais rápido, o que reduz o tempo de confinamento. Como resultado, os animais são abatidos mais jovens e no ponto ideal, garantindo uma carne de melhor qualidade e com mais maciez". Essa abordagem não apenas otimiza o processo produtivo, mas também assegura um produto final superior para o consumidor.
O papel crucial do melhoramento genético
Para alcançar animais cada vez mais produtivos e adaptados, o avanço da genética se torna fundamental. Mais de 200 touros da raça Brahman, provenientes de diferentes regiões do país, são monitorados de perto com esse propósito. Uma empresa especializada em inseminação artificial e melhoramento genético conduz esse trabalho minucioso.
O processo é complexo e envolve múltiplas etapas, começando no pasto e seguindo para laboratórios especializados. A coleta de sêmen é realizada em animais com idade entre um ano e meio e cinco anos, selecionados por suas características superiores. Um dos doadores mais notáveis é o touro chamado Tanque, que impressiona com seu peso superior a 800 kg, demonstrando o potencial genético que está sendo explorado.
Esses esforços contínuos em pesquisa e desenvolvimento garantem que a raça Brangus mantenha suas qualidades distintivas enquanto evolui para atender às demandas do mercado contemporâneo. A combinação entre tradição pecuária e inovação científica resulta em uma cadeia produtiva mais eficiente e sustentável.