João Zanotto investe R$ 30 milhões em vinícola premium financiada pelo sucesso do Pérgola
Zanotto investe R$ 30 mi em vinícola premium com Pérgola

O rei do Pérgola investe pesado no mercado de vinhos finos

João Zanotto, proprietário da vinícola Campestre, em Vacaria, no Rio Grande do Sul, é uma das maiores autoridades do país em negócios vinícolas. Ele é o responsável por um fenômeno comercial: o Pérgola, produzido desde 1968 com uvas americanas das variedades Bordô e Isabel. Recentemente, pelo 12º ano consecutivo, o produto recebeu o título de vinho mais vendido do Brasil, com impressionantes 45 milhões de litros comercializados no último ano. O sucesso é tão grande que o Pérgola é exportado para Estados Unidos, Suriname, Guiana Inglesa e, mais recentemente, para o Reino Unido.

Uma aposta audaciosa no mercado premium

Apesar de sua declaração contundente sobre a dificuldade de lucrar com vinícolas no Brasil, Zanotto não ficou apenas nas palavras. Em 2014, ele embarcou na aventura do vinho fino, termo usado para os produzidos com vitis viníferas. Um ano depois, a primeira vinha de Merlot foi plantada em Vacaria, em um terreno que antes abrigava o Frigorífico Vacariense. O investimento total foi de R$ 30 milhões, transformando 23 mil metros quadrados em uma propriedade com equipamentos italianos, tecnologia de ponta e uma equipe de dez enólogos comandada por André Donatti, eleito enólogo do ano em 2024 pela Associação Brasileira de Enologia (ABE).

A linha de vinhos finos, batizada de Zanotto, já conquistou reconhecimento internacional. No Decanter World Wine Awards, o Zanotto Sangiovese 2021 levou medalha de ouro, enquanto o Zanotto Sauvignon Blanc 2021 e os espumantes Brut Zanotto receberam bronze. No entanto, mesmo com os aplausos, a operação ainda está longe de gerar lucros. Zanotto é franco ao admitir que é o Pérgola que está bancando essa expansão para o mercado premium. "É o tipo de vinho que eu tomo", justificou o empresário, destacando que investimentos desse tipo só fazem sentido para quem está preparado para colher resultados a longo prazo.

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Enoturismo e Denominação de Origem como estratégias

Zanotto acredita que a produção de vinhos finos precisa ser harmonizada com o enoturismo, outra frente na qual a Campestre está apostando pesado. Até 2028, a propriedade pretende receber visitantes em um hotel com 115 quartos, cada um com 40 metros quadrados. Enquanto as obras não terminam, os visitantes já podem desfrutar de degustações harmonizadas na varanda com vista para o vinhedo, almoçar no restaurante – que atende cerca de 500 pessoas por mês – e participar de visitas guiadas.

Além disso, a região de Vacaria, com altitudes entre 900 e 1.200 metros, clima favorável e solo único, está prestes a ganhar sua própria Denominação de Origem (DO), chamada Campos de Cima da Serra. Sete produtores, liderados por André Donatti, uniram-se para pleitear a terceira DO de vinhos do Brasil. A iniciativa permitirá que vinhos feitos exclusivamente com uvas da região – como Sauvignon Blanc, Pinot Noir, Merlot, Chardonnay e Cabernet Sauvignon – recebam um selo de qualidade. "Desenvolvemos o caderno de especificações de maneira a criar vinhos de altíssima qualidade", afirmou Donatti.

Uma colaboração rara no agronegócio brasileiro

O movimento em torno da DO e do enoturismo na região é uma colaboração rara no mercado nacional, envolvendo gigantes do agronegócio. Além da Campestre, participam produtores como a RAR, principal produtora de maçãs do país e fabricante de espumantes, e a família Lemos de Almeida, grande produtora de soja que criou uma vila açoriana para atrair visitantes. Juntos, eles formam uma espécie de "dream team" do agronegócio brasileiro, apostando que a visibilidade e o prestígio da região impulsionarão as vendas.

Atualmente, a operação da Zanotto produz 15 mil garrafas por ano, mas a meta é chegar a 400 mil litros anuais até 2030 – menos de 1% da produção do Pérgola. Zanotto está confiante de que, combinando vinhos finos, enoturismo e a nova Denominação de Origem, o braço premium da Campestre deixará de ser um hobby e começará a dar lucro. "Hoje, o que vende vinho fino é enoturismo e indicação", resumiu o empresário, que mantém garrafas abertas para degustação em todas as lojas da marca, incentivando os clientes a experimentarem quantos vinhos desejarem.

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