Novo ramal ferroviário em Inocência liga MS à malha nacional e reduz tráfego de caminhões
Ramal ferroviário em Inocência liga MS à malha nacional

Inauguração de ramal ferroviário em Inocência marca avanço logístico em Mato Grosso do Sul

O município de Inocência, em Mato Grosso do Sul, foi palco de um evento significativo nesta sexta-feira (6), com a presença da ministra Simone Tebet. A cerimônia marcou o lançamento de um novo ramal ferroviário, uma iniciativa que promete transformar a logística de transporte de cargas no estado.

Detalhes do projeto ferroviário e impacto na malha nacional

O ramal terá 45 quilômetros de extensão, margeando a rodovia MS-377, e fará a ligação direta da indústria de celulose chilena em construção em Inocência com a Malha Norte. Esta ferrovia cruza Mato Grosso do Sul e segue pelo estado de São Paulo até o Porto de Santos, de onde a celulose será embarcada para o mercado internacional, com foco principal na Ásia.

Uma das principais vantagens deste projeto é a retirada de aproximadamente 190 caminhões por dia das rodovias estaduais, reduzindo congestionamentos e aumentando a segurança no trânsito. A ferrovia será construída em bitola larga, permitindo maior velocidade e capacidade de carga, com previsão de transportar 11 mil toneladas de celulose diariamente.

Contexto econômico e importância para as exportações

Mato Grosso do Sul exportou R$ 16,3 bilhões em 2025, com a celulose liderando a pauta de exportações. A nova ferrovia integra o complexo logístico da fábrica de celulose, que deve entrar em operação no fim de 2027, com capacidade estimada de produção de 3,5 milhões de toneladas por ano.

Carlos Altimiras, presidente da Arauco Brasil, destacou a importância da logística para a competitividade do país. "O Brasil tem tudo: terra, chuva e sol, mas fica longe do porto. São cerca de 1.050 quilômetros. No Chile, as fábricas estão coladas no mar. Por isso, é fundamental desenvolver infraestrutura e logística para o país ser mais competitivo", afirmou.

Modelo inovador de concessão e participação do governo

Este ramal ferroviário representa a primeira concessão do Brasil nesse formato, voltada para um pequeno trecho de ligação entre a carga e a ferrovia principal. O modelo permite que a própria empresa construa o acesso até a malha existente, sem necessidade de obra direta do governo.

O ministro dos Transportes, Renan Filho, explicou: "Uma ferrovia pode ser construída de três formas: com recursos do governo, por concessão a uma operadora privada ou por esse novo modelo de autorização, que permite à empresa ligar a sua carga à malha existente".

Impacto social e expectativas futuras

O canteiro de obras da fábrica de celulose já movimenta cerca de 9 mil trabalhadores, vindos de várias regiões do país. Antônio Albano da Silva, carpinteiro que deixou o Rio Grande do Norte em busca de melhores oportunidades, compartilhou sua experiência: "Lá o nosso trabalho a gente sabe como é, salário baixo. Para correr atrás de um objetivo maior e dar conforto para a família, tem que buscar emprego em outros estados".

Durante o evento, o governo estadual também assinou o contrato de concessão da chamada Rota da Celulose. O consórcio vencedor vai administrar 870 quilômetros de rodovias estaduais e federais no leste do estado.

O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, expressou otimismo: "Estamos aguardando com muita expectativa esse leilão. Esse projeto foi construído ao longo de dois anos em parceria com o Ministério dos Transportes, e agora o governo federal avança com esse investimento e essa concessão". A expectativa é pelo avanço da licitação da Malha Oeste, ferrovia que poderá ampliar ainda mais o escoamento da produção sul-mato-grossense.