Guerra no Oriente Médio eleva custos de fertilizantes e ameaça o agronegócio brasileiro
Guerra no Oriente Médio pressiona agro com alta de fertilizantes

Guerra no Oriente Médio eleva custos de fertilizantes e ameaça o agronegócio brasileiro

Enquanto o impacto do combustível em cenários de tensão geopolítica é frequentemente discutido, há um fator silencioso que o setor agrícola brasileiro conhece profundamente e vem alertando há anos: os fertilizantes. De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), aproximadamente 12% dos fertilizantes importados pelo país têm origem no Oriente Médio, sendo que, para a ureia, essa dependência é ainda mais crítica, atingindo 35% do total utilizado no Brasil.

Essa dependência não se manifesta diretamente nos postos de combustível, mas exerce uma pressão significativa sobre a produção de alimentos, afetando desde o campo até as prateleiras dos supermercados. O mercado já começou a sentir os efeitos, com os preços da ureia subindo entre 30% e 35% desde o início do conflito na região.

Impacto econômico e riscos para a cadeia produtiva

Um levantamento realizado pelo economista Matheus Dias, da FGV/Ibre, revela que as tensões no Estreito de Ormuz estão encarecendo insumos essenciais como ureia e enxofre, com potencial de repasse de até 50% ao Índice de Preços ao Produtor (IPA/FGV) em um período de até cinco meses. Isso se traduz em custos mais elevados para culturas como milho e soja, que, por sua vez, impactam diretamente o preço de proteínas animais, como carne bovina, suína e de frango, uma vez que o milho é a base da ração utilizada na pecuária.

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Trata-se de um efeito em cadeia que começa no campo e termina no bolso do consumidor, com reflexos na inflação alimentar. O problema, no entanto, não é exclusivo do Brasil. Em países como a Romênia, agricultores já relatam aumentos de até 30% nos preços dos alimentos em poucas semanas, alertando para possíveis quedas nas colheitas futuras.

Cenário internacional e desafios globais

Na Grécia, há relatos de campos abandonados e pressão crescente sobre os produtores, enquanto a União Europeia, que ainda depende fortemente de fertilizantes russos – cerca de 22% das importações em 2025 –, enfrenta custos adicionais de até 300 euros por tonelada devido à guerra no Irã. No Quênia, a escassez de fertilizantes está levando agricultores a adotarem alternativas menos eficientes, aumentando o risco de queda na produção e possíveis faltas de alimentos no futuro.

Quando fertilizantes e combustíveis chegam a representar metade do custo de produção agrícola, o alerta deixa de ser meramente técnico e passa a ser uma questão de sobrevivência para o próprio setor agropecuário. A situação exige atenção urgente de governos e stakeholders para mitigar os impactos e garantir a segurança alimentar global.

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