Governo federal anuncia compra de terrenos para assentamento de famílias do MST em Valinhos
O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Paulo Teixeira, fez um anúncio histórico durante o 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizado nesta sexta-feira (23) em Salvador, na Bahia. O governo federal confirmou a compra de terrenos para o assentamento das famílias que vivem no Acampamento Marielle Vive, localizado em Valinhos, no interior de São Paulo.
Detalhes da aquisição e impacto social
De acordo com as informações divulgadas pelo ministro, as áreas adquiridas são as Fazendas Eldorado e Lajeado, que serão destinadas ao assentamento das aproximadamente 1 mil famílias que residem no acampamento. "Nós vamos anunciar a compra das seguintes áreas: Fazenda Eldorado e Lajeado, para assentar as famílias do Marielle Vive em São Paulo, onde foi morto um trabalhador", afirmou Paulo Teixeira durante o evento.
O Acampamento Marielle Vive foi estabelecido em abril de 2018 em uma área na Estrada do Jequitibá, em Valinhos. A ocupação ganhou destaque nacional após um trágico incidente em julho de 2019, quando um idoso morreu atropelado após um veículo avançar sobre manifestantes durante um protesto. Esse episódio reforçou as demandas por segurança e regularização fundiária para as famílias acampadas.
Reação do movimento e próximos passos
Nas redes sociais, o perfil oficial do Acampamento Marielle Vive comemorou a notícia com entusiasmo, destacando a importância do assentamento para a produção agrícola na região. "O Acampamento Marielle Vive, enfim, será um assentamento para a produção de alimentos saudáveis na região de Campinas, SP. Viva a Reforma Agrária Popular!", publicou o movimento.
No entanto, ainda há questões pendentes sobre a implementação prática do assentamento. O g1 entrou em contato com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para obter detalhes sobre prazos e procedimentos, mas o órgão informou que não possui essas informações no momento. Segundo o Incra, a criação efetiva do assentamento só ocorrerá após a área estar sob o domínio do instituto, o que deve envolver etapas burocráticas e de planejamento.
Este anúncio representa um avanço significativo na luta pela reforma agrária no estado de São Paulo, especialmente na região de Campinas, onde a pressão por terras produtivas tem sido constante. A medida pode impactar positivamente a economia local, promovendo a agricultura familiar e a geração de empregos no setor agrícola.