Brasil importa 85% dos fertilizantes e enfrenta risco de alta nos alimentos
Brasil importa 85% dos fertilizantes e enfrenta risco de alta

Brasil importa 85% dos fertilizantes e enfrenta risco de alta nos alimentos

O avanço do conflito no Estreito de Ormuz e a guerra entre Rússia e Ucrânia já provocam falta e disparada nos preços dos fertilizantes em países como Grécia, Romênia e Quênia — um sinal claro de que o problema é global. No caso brasileiro, o impacto tende a ser ainda mais sensível: o país importa cerca de 85% dos insumos que consome.

Concentração da produção em regiões sob tensão

Com a produção de nitrogênio, potássio e fósforo concentrada justamente em regiões sob tensão, a conta começa a subir no campo e deve chegar, inevitavelmente, ao preço dos alimentos. É nesse ponto que entra a leitura de Gustavo Junqueira, que chama atenção para a fragilidade estrutural do Brasil.

Segundo ele, apesar de sermos uma potência agrícola, seguimos dependentes de fornecedores externos — uma “potência com os pés de barro”. O mapa dos insumos explica boa parte do problema:

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  • O nitrogênio vem, em grande parte, do Oriente Médio;
  • O potássio tem forte ligação com a Rússia;
  • E o fósforo, com o Marrocos.

Reflexos no campo e na inflação

Em meio a conflitos e gargalos logísticos, como o próprio Estreito de Ormuz, os preços se tornam globais e sobem para todos. No campo, o reflexo já aparece. Culturas como milho safrinha e cana-de-açúcar começam a sentir o peso dos custos mais altos, forçando o produtor a escolher entre gastar mais ou usar menos fertilizante, com impacto direto na produtividade.

No fim da cadeia, o efeito é direto no bolso do consumidor. Junqueira resume o cenário como uma “guerra de custo de vida”, em que o encarecimento dos insumos se transforma, pouco a pouco, em pressão sobre a inflação dos alimentos — e, em ano de debates políticos intensos, ganha ainda mais relevância.

A situação expõe uma vulnerabilidade crônica do agronegócio brasileiro, que mesmo sendo um dos maiores produtores mundiais, mantém uma dependência crítica de insumos importados. Especialistas alertam que sem políticas para diversificar fontes e incentivar a produção nacional, o país seguirá sujeito a oscilações de preços e crises internacionais.

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