Anfavea e sindicatos pressionam contra retorno de isenção para carros desmontados
Anfavea e sindicatos contra isenção para carros desmontados

Setor automotivo e sindicatos unem forças contra retorno de isenção fiscal

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) recebeu o apoio massivo de 19 centrais sindicais e sindicatos em uma campanha pela não renovação da isenção de imposto de importação para veículos híbridos e elétricos desmontados ou semidesmontados. O benefício, que vigorou por seis meses, foi encerrado em janeiro deste ano, mas a possibilidade de seu retorno está sendo discutida na Câmara de Comércio Exterior (Camex), gerando preocupação no setor.

Documento enviado ao governo federal pede manutenção de impostos

Diante da ameaça de renovação, a Anfavea encaminhou uma carta ao governo federal solicitando que os impostos sobre essas importações sejam mantidos. O documento ganhou adesão de importantes entidades sindicais, incluindo a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Força Sindical e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), demonstrando uma rara união entre indústria e trabalhadores.

No texto, as entidades argumentam que "a renovação dessas cotas, especialmente em alto volume, implicará em impactos negativos ao processo de reindustrialização do país". Eles alertam que a medida pode ameaçar empregos qualificados em toda a cadeia automotiva e reduzir os efeitos do programa Nova Indústria Brasil (NIB), iniciativa governamental voltada para o fortalecimento do parque industrial nacional.

Preocupação com a competitividade e o mercado de trabalho

A isenção, quando vigente, permitia a importação de veículos desmontados com redução de tributos, o que, segundo os críticos, poderia desestimular a produção local e afetar a competitividade das montadoras instaladas no Brasil. Os sindicatos destacam que a manutenção de empregos de alta qualificação está diretamente ligada à saúde da indústria automotiva nacional, que passa por um processo de transformação rumo à eletrificação e sustentabilidade.

A decisão final sobre o tema caberá à Camex, que deve avaliar os argumentos econômicos e os impactos sociais apresentados pelas entidades. Enquanto isso, a pressão conjunta de Anfavea e sindicatos sinaliza um alinhamento estratégico em defesa da política industrial brasileira, com foco na geração de empregos e no desenvolvimento tecnológico local.