Agricultor do Ceará encontra petróleo ao buscar água e enfrenta frustração e dívida
Agricultor acha petróleo ao buscar água no Ceará e fica frustrado

Agricultor do Ceará descobre petróleo ao perfurar poço em busca de água e enfrenta frustração

Uma descoberta inesperada no interior do Ceará vem mobilizando moradores e pesquisadores, mas para a família de agricultores responsável pelo achado, o resultado trouxe mais frustração do que esperança. Sidrônio Moreira, de 63 anos, investiu cerca de R$ 15 mil, obtidos por meio de empréstimo, para perfurar um poço em sua propriedade no Sítio Santo Estevão, zona rural de Tabuleiro do Norte, em novembro de 2024. O objetivo era simples: encontrar água para abastecer a família e a produção agrícola em uma região marcada pela escassez hídrica.

Descoberta inesperada e testes laboratoriais

No entanto, a perfuração revelou um líquido escuro, levantando a hipótese de uma possível jazida de petróleo. Em 2025, testes laboratoriais confirmaram que o líquido encontrado pelo agricultor possui as mesmas características físico-químicas do petróleo extraído da Bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte. Desde então, o caso passou a ser investigado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), que aguarda laudos definitivos para determinar a natureza exata do material.

Enquanto aguarda as orientações da ANP, a família de Sidrônio segue enfrentando sérios problemas de acesso à água. Sem água encanada, dependem de adutoras e carros-pipa para o abastecimento diário. A renda vem das aposentadorias do casal e da venda de animais, feijão e milho, mas a água armazenada precisa ser racionada rigorosamente para todas as atividades, desde o consumo humano até a criação de animais.

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Frustração familiar e dívidas acumuladas

O filho de Sidrônio, Sidnei Moreira, destacou que a prioridade da família sempre foi encontrar água, especialmente devido à idade do pai e às necessidades dos animais. "Nunca foi nossa intenção achar petróleo, sempre foi achar água", afirmou. A descoberta do líquido e os custos já assumidos com a perfuração dificultam a abertura de um novo poço, além dos riscos de contaminação do lençol freático caso uma nova perfuração seja feita de forma inadequada.

Para viabilizar o primeiro poço, Sidrônio utilizou parte das economias familiares e contraiu um empréstimo de R$ 15 mil. Após a frustração inicial, a família chegou a perfurar um segundo poço, mais raso, mas novamente não encontrou água. Desde então, seguem à espera de uma resposta oficial, enquanto a dívida pesa no orçamento doméstico. "Eu disse: 'Mulher, vamos fazer esse empréstimo pra furar esse poço'. Fizemos, fiquei animado, mas agora nem água e nem os R$ 15 mil", lamentou Sidrônio.

Legislação e possíveis benefícios futuros

Mesmo que a presença de petróleo seja confirmada, a família não poderá explorar ou vender o recurso diretamente, pois pela legislação brasileira, o petróleo pertence à União. A exploração só pode ser realizada por empresas autorizadas, após estudos e leilões conduzidos pelo governo federal. No entanto, Sidrônio poderá ter um retorno financeiro caso a área passe por um processo de exploração e produção comercial no futuro, recebendo um percentual do lucro.

Enquanto isso, o vice-prefeito de Tabuleiro do Norte, Antério Fernandes, informou que uma nova adutora está sendo construída na zona rural da cidade e deve atender mais de 700 famílias, incluindo a de Sidrônio e sua esposa Maria Luciene. O prazo para conclusão da obra é o fim de março, oferecendo uma esperança de alívio para a escassez hídrica que persiste na região.

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