Reservatórios de R$ 127 milhões inoperantes agravam crise hídrica em Queimados
Reservatórios de R$ 127 milhões inoperantes em Queimados

Reservatórios de R$ 127 milhões inoperantes agravam crise hídrica em Queimados

Moradores de Queimados, na Baixada Fluminense, enfrentam uma situação de falta d'água crônica que se arrasta há anos e se intensifica drasticamente durante os períodos de verão. O município possui dois reservatórios que foram inaugurados há quase uma década, com um investimento total de R$ 127 milhões, mas que nunca foram utilizados para abastecimento público. A promessa original era de que essas estruturas beneficiassem mais de cem mil pessoas, solucionando definitivamente os problemas de abastecimento na região.

Condomínio recorre a água de piscina para necessidades básicas

Um condomínio inaugurado na mesma época dos reservatórios hoje depende exclusivamente de caminhões-pipa para sobreviver. "Desde que a gente veio pra cá, a gente já tinha essa dificuldade de água nesse período de novembro a fevereiro, que é o período de estiagem, mas nunca chegou à situação que estamos hoje", relata a síndica Priscila Gama. Neste verão, a escassez atingiu um nível tão crítico que os moradores tiveram que utilizar a água da piscina do condomínio para atividades básicas.

Eles encheram baldes para levar aos banheiros de suas casas e dar descarga, já que nenhuma água saía das tubulações. Essa medida extrema ilustra a gravidade do problema que afeta centenas de famílias, enquanto infraestruturas milionárias permanecem ociosas a poucos quilômetros de distância.

Detalhes dos reservatórios e promessas não cumpridas

Os dois reservatórios estão localizados a cerca de três quilômetros um do outro. De acordo com a Cedae, o Reservatório I foi inaugurado em 2016, com um custo de R$ 75 milhões. Já o Reservatório II, inaugurado três anos depois, em 2019, teve um investimento de R$ 52 milhões. A promessa na época era de que essas estruturas abastecessem o bairro inteiro, mas até hoje nenhum deles foi efetivamente integrado ao sistema de distribuição de água.

Em setembro de 2023, a concessionária Águas do Rio elaborou um plano de verão que incluía a ativação dos reservatórios Camburi e Queimados I como uma das ações operacionais previstas. No entanto, um ano antes, em uma visita técnica, a mesma empresa atestou que o reservatório estava completamente desativado, sem nunca ter sido utilizado desde sua inauguração.

Cobranças políticas e respostas das autoridades

A vereadora Cintia Batista tem procurado as autoridades responsáveis por fiscalizar o abastecimento de água para exigir uma solução imediata para um problema que, segundo ela, "já poderia ter sido resolvido há muito tempo". A Agenersa, Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do estado do Rio de Janeiro, informou que instaurou um processo regulatório e enviará uma equipe técnica ao local para apurar os fatos.

A agência também cobrou uma posição da concessionária Águas do Rio, que pode ser multada caso sejam constatadas irregularidades na gestão dos reservatórios. Em resposta, a Águas do Rio afirmou que os dois reservatórios foram recebidos pela concessionária já inoperantes, sem conexão ao sistema de abastecimento, e que desde então a empresa vem realizando investimentos para permitir a utilização desses equipamentos.

A Cedae, por sua vez, esclareceu que concluiu as obras dos reservatórios em 2018 e 2019 e que, em 2021, repassou a operação para a Águas do Rio. Já a prefeitura de Queimados destacou que cobra constantemente a Águas do Rio para resolver o problema de abastecimento no município, mas as soluções concretas ainda não foram implementadas, deixando a população em uma situação de vulnerabilidade hídrica cada vez mais alarmante.