Prefeito de São Paulo lamenta morte de casal e admite atraso em obra de drenagem
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) manifestou profunda tristeza com a morte do casal de idosos que teve o carro arrastado por uma enxurrada durante forte chuva na Avenida Carlos Caldeira Filho, no bairro Campo Limpo, Zona Sul de São Paulo. Durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (20), o gestor municipal também reconheceu que a entrega de uma obra crucial de drenagem na região está atrasada há quase um ano devido a complicações técnicas.
Investimentos e desafios na infraestrutura de drenagem
Ricardo Nunes destacou os esforços da administração municipal em obras de contenção de enchentes, mencionando investimentos de R$ 9,3 bilhões em projetos de drenagem, microdrenagem, canalização de córregos e contenção de encostas. "Eu já entreguei nove reservatórios. Estou com oito reservatórios em obra nesse momento e o Capão Redondo é um deles", afirmou o prefeito.
No entanto, ele admitiu que o cronograma do piscinão no Capão Redondo, inicialmente previsto para agosto de 2025 e depois remarcado para junho deste ano, enfrenta obstáculos. "Realmente já era para ter ficado pronto, era o cronograma que estava previsto, mas a empresa acabou se defrontando com rochas no fundo. São 14 metros de profundidade. Nós já fizemos 12 metro de vala, mas se encontrou rocha e acabou atrasando essa obra", explicou Nunes.
Tragédia no Campo Limpo e histórico de problemas
O casal Maria Deusdete da Mata Ribeiro, de 67 anos, e Marcos da Mata Ribeiro, de 68 anos, faleceu após o veículo em que estavam ser levado pela correnteza na última sexta-feira (16). Um vídeo registrou o momento em que o carro branco desapareceu nas águas, com uma das portas abertas e Maria visível na beirada. Os corpos foram encontrados nos dias seguintes, com o de Marcos localizado no Rio Pinheiros.
O prefeito, que declarou ter vivido na região, emocionou-se ao relembrar histórias passadas. "Das mortes, é muito triste, muito triste. Não tem só esses dois, não. Ano passado tivemos um rapaz que, infelizmente, foi carregado naquela região e acabou desaparecido. Eu vivia ali. Então, a minha vida inteira eu via ali tudo alagado", disse Nunes, prometendo agilizar a conclusão da obra.
Medidas emergenciais e críticas dos moradores
Após o incidente, a Prefeitura de São Paulo instalou às pressas blocos de concreto e guarda-corpo no trecho entre a avenida e o córrego. A Subprefeitura do Campo Limpo informou que, em 2024, já havia colocado proteções na área, mas a estrutura foi vandalizada e furtada, tornando necessária uma ação emergencial.
Moradores da região criticam a gestão municipal pela falta de proteções viárias permanentes, argumentando que, sem delimitação adequada, motoristas e pedestres não conseguem identificar os limites da via durante chuvas intensas, aumentando os riscos de acidentes.
Planejamento de longo prazo e atualizações
Estudos para a drenagem na região do Capão Redondo remontam a pelo menos dez anos, com um documento de 2016 da prefeitura indicando a intenção de construir um reservatório e canalizar o rio no Córrego dos Freitas, além de outras intervenções. Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que concluiu obras nas galerias do córrego São Luiz e que o reservatório do Morro do S deve ser entregue até junho deste ano.
A gestão municipal também destacou que atualizou o caderno da bacia hidrográfica do Capão, com ajustes em algumas intervenções, e está investindo R$ 261,4 milhões na construção do reservatório de contenção de cheias no Capão Redondo e na canalização de 3 km do córrego Água dos Brancos. Essas obras visam beneficiar aproximadamente 870 mil moradores de bairros como Capão Redondo, Campo Limpo, Vila Andrade e Jardim São Luís.