Prefeito de Cuiabá faz oferta de R$ 30 milhões pela Santa Casa, valor 25% abaixo de proposta privada
Prefeito de Cuiabá oferece R$ 30 milhões pela Santa Casa

Prefeitura de Cuiabá apresenta proposta de compra da Santa Casa por R$ 30 milhões

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), formalizou nesta sexta-feira (30) uma oferta de compra pela Santa Casa de Misericórdia, no valor de R$ 30 milhões. A proposta municipal representa um montante 25% inferior ao apresentado pelo Instituto Evangelístico São Marcos, sediado em São Paulo, que também demonstrou interesse na aquisição do histórico estabelecimento de saúde.

Crise financeira e risco de fechamento motivam venda judicial

A transação ocorre em um contexto de grave crise financeira que assola a instituição, decorrente principalmente de dívidas trabalhistas acumuladas. A situação crítica levou a Justiça do Trabalho a determinar a venda do imóvel como mecanismo para quitar os débitos, colocando em risco real o encerramento das atividades do hospital.

Conforme os processos de alienação evoluíram, o valor de mercado do prédio sofreu sucessivas reduções. Inicialmente avaliado em R$ 78,2 milhões, o bem chegou a ter um preço mínimo estipulado em R$ 54,7 milhões para os leilões. Posteriormente, o Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT-MT) chegou a ofertar a propriedade por R$ 39,1 milhões, sem que houvesse interessados.

Falta de propostas anteriores e nova esperança com emendas parlamentares

Em setembro de 2025, a Justiça do Trabalho já havia determinado a intimação da comissão de credores da Santa Casa, após o encerramento do prazo para envio de propostas sem que nenhuma oferta concreta fosse apresentada. Este cenário de desinteresse prolongado agravou as incertezas sobre o futuro da instituição.

Para viabilizar a aquisição, a prefeitura de Cuiabá estabeleceu uma parceria estratégica com deputados estaduais, que se comprometeram a destinar emendas parlamentares específicas para a compra do hospital. A expectativa da gestão municipal é manter a Santa Casa em funcionamento, assegurando seu caráter gratuito e preservando sua condição de patrimônio histórico da capital mato-grossense.

A proposta do prefeito Abilio Brunini surge, portanto, como uma tentativa de resgatar um equipamento de saúde fundamental para a população cuiabana, ao mesmo tempo em que busca solucionar um passivo trabalhista que ameaça a continuidade dos serviços médicos prestados há décadas na região.