Fim dos orelhões: Anatel inicia desligamento dos telefones públicos no Brasil
Orelhões começam a ser retirados das ruas do Brasil

Fim de uma era: Anatel inicia desligamento dos orelhões no Brasil

Os icônicos orelhões, símbolos da comunicação pública por décadas, têm seus dias contados no Brasil. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) confirmou que a partir deste mês, os telefones públicos começam a ser retirados definitivamente das ruas de todo o território nacional. Essa medida marca o encerramento de um capítulo histórico nas telecomunicações brasileiras.

Situação no Acre: 140 aparelhos ainda em operação

No estado do Acre, a realidade reflete a transição em curso. Segundo dados atualizados da Anatel, ainda existem 140 telefones públicos espalhados pelas cidades acreanas. No entanto, essa presença é desigual e varia significativamente entre os municípios.

As cidades com maior número de orelhões instalados são:

  • Feijó: 27 unidades
  • Sena Madureira: 24 unidades
  • Tarauacá: 22 unidades

Em contraste, a capital Rio Branco possui apenas três aparelhos. Municípios como Xapuri, Brasiléia e Capixaba contam com apenas um orelhão cada. Já em Epitaciolândia e Plácido de Castro, não há dados disponíveis sobre a existência desses equipamentos.

Motivos para a remoção: fim das concessões

A decisão de retirar os orelhões está diretamente ligada ao término das concessões do serviço de telefonia fixa. No ano passado, as cinco empresas responsáveis pelos aparelhos – Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica – tiveram seus contratos encerrados, extinguindo a obrigação legal de manter essa infraestrutura.

Atualmente, o Brasil ainda possui cerca de 38 mil orelhões em todo o território, segundo a Anatel. Desse total, mais de 33 mil estão ativos, enquanto aproximadamente 4 mil encontram-se em manutenção. A remoção em massa de carcaças e aparelhos desativados terá início em janeiro.

Exceções e prazos finais

A extinção dos telefones públicos não será imediata em todos os locais. A Anatel estabeleceu que os orelhões só devem ser mantidos em cidades onde não há rede de celular disponível, e mesmo nessas localidades, a permanência está limitada até o ano de 2028. Essa medida visa garantir acesso básico à comunicação em áreas remotas durante a transição tecnológica.

Declínio histórico e contrapartidas

O processo de retirada dos orelhões já vinha ocorrendo gradualmente nos últimos anos. Dados históricos da Anatel revelam que, em 2020, o Brasil contava com aproximadamente 202 mil orelhões nas ruas – número que caiu drasticamente para os atuais 38 mil, evidenciando a rápida substituição por tecnologias móveis.

Como contrapartida pela desativação, a agência determinou que as empresas de telecomunicações devem redirecionar seus recursos para investimentos em redes de banda larga e telefonia móvel. Essa realocação visa fortalecer as tecnologias que hoje dominam a comunicação no país, alinhando-se com as demandas contemporâneas.

Legado do orelhão: uma criação brasileira icônica

O orelhão surgiu em 1971, criado pela talentosa arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira. Inicialmente batizados com nomes como Chu I e Tulipa, esses equipamentos se diferenciaram das cabines telefônicas existentes em outros países pelo seu design inovador e funcional.

O formato característico não era apenas estético: tinha uma justificativa funcional relacionada à qualidade acústica. O design permitia que o som entrasse na cabine e fosse projetado para fora, reduzindo significativamente o ruído durante as ligações e protegendo os usuários do barulho externo. Essa criação brasileira tornou-se tão icônica que foi reproduzida em diversos países, incluindo Peru, Angola, Moçambique e China.

A remoção dos orelhões representa, portanto, não apenas uma mudança tecnológica, mas o fim de um símbolo cultural que marcou gerações de brasileiros.