Museu de Paleontologia de Teresina, com custo de R$ 20 milhões, segue fechado após inauguração
Museu de R$ 20 mi em Teresina inaugurado mas não funciona

Museu de Paleontologia de Teresina: Inaugurado com R$ 20 milhões, mas ainda sem funcionamento

O Museu de Paleontologia de Teresina, localizado no Parque Ambiental da Floresta Fóssil, na Zona Leste da capital piauiense, representa um investimento público significativo de R$ 20 milhões. Inaugurado no final de 2024, a estrutura, no entanto, permanece fechada ao público, sem previsão concreta para a abertura. A situação gera questionamentos sobre a gestão dos recursos e a preservação do valioso acervo paleontológico da região.

Etapas burocráticas e falta de definição entre órgãos municipais

De acordo com a Superintendência de Desenvolvimento Urbano (SDU) Centro, o projeto encontra-se atualmente na fase de museografia e implantação científica. Em nota oficial, a SDU Centro esclareceu que a continuidade dos trabalhos, incluindo a instalação dos acervos e a curadoria do espaço, foi designada à Secretaria Municipal de Planejamento (Semplan). Por sua vez, a Semplan informa que está analisando a contratação de uma instituição especializada em museografia para desenvolver o projeto de ocupação tanto do museu quanto do parque.

"Diante da importância histórica do acervo paleontológico raro, a Prefeitura ressalta a necessidade de que toda a estrutura de funcionamento seja organizada para que os visitantes e pesquisadores possam transitar pelo parque de forma segura", afirma um trecho da nota divulgada pela secretaria. Essa justificativa, porém, não especifica prazos ou etapas conclusivas, deixando a população em expectativa.

Especialista alerta para riscos ao patrimônio e importância educativa

Em entrevista à Rede Clube, Juan Cisneiros, coordenador da seção de paleontologia do Museu da Universidade Federal do Piauí, enfatizou a relevância do museu para a comunidade. Ele explicou que o espaço seria uma ferramenta crucial para aproximar a população da riqueza histórica local, promovendo a valorização do patrimônio.

"A floresta petrificada de Teresina está sujeita a certos riscos como a chuva, o rio e a própria ação humana desregulada. O parque tem que funcionar e o museu é essencial para que as pessoas possam conhecer e valorizar esse patrimônio. O museu faz com que a ciência possa chegar à comunidade", declarou o paleontólogo. Suas palavras destacam a urgência em colocar o museu em operação, não apenas como atração turística, mas como medida de preservação e educação científica.

Detalhes sobre o parque e o investimento realizado

O Parque Ambiental da Floresta Fóssil abriga um acervo paleontológico considerado raro, com presença de troncos datados da era Paleozoica, com aproximadamente 270 milhões de anos. A obra do museu teve início em 2020, com um investimento inicial de R$ 12 milhões e previsão de conclusão em 12 meses. Após atrasos, a construção foi finalizada em dezembro de 2024, elevando o orçamento total para R$ 20 milhões.

A estrutura concluída inclui:

  • Salão para exposições
  • Banheiros adaptados
  • Salas de apoio a pesquisadores
  • Café
  • Auditório
  • Mirante

Apesar da infraestrutura pronta, a falta de definição sobre a museografia e a curadoria mantém o museu inacessível, levantando debates sobre eficiência na aplicação de verbas públicas e a proteção do patrimônio natural e histórico de Teresina.