IPTU dispara em Itanhaém: moradores relatam aumentos de até 2.113% após revisão fiscal
IPTU sobe até 2.113% em Itanhaém após revisão fiscal

Moradores de Itanhaém enfrentam aumentos estratosféricos no IPTU para 2026

A cidade de Itanhaém, localizada no litoral de São Paulo, está no centro de uma polêmica fiscal que tem deixado a população em alerta. Moradores denunciam aumentos exorbitantes no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para o ano de 2026, com reajustes que, em alguns casos, ultrapassam a marca dos 2.000%. A situação gerou protestos na última semana, quando cidadãos insatisfeitos se reuniram em frente à prefeitura municipal para questionar publicamente o método de cobrança adotado pela administração pública.

Revisão fiscal identifica milhares de imóveis com tributação inadequada

De acordo com informações oficiais da prefeitura, o modelo de cobrança do IPTU foi atualizado neste ano após uma minuciosa análise que identificou aproximadamente 6 mil imóveis que estavam sendo tributados apenas como terrenos, sem a devida consideração das construções existentes. A última revisão havia sido realizada em um período anterior, quando muitas dessas áreas ainda não possuíam edificações. A medida foi tomada seguindo recomendações do Ministério Público (MP) e do Tribunal de Contas do Estado (TCE), com o objetivo de promover uma recomposição financeira do município e garantir maior equidade na arrecadação tributária.

Casos emblemáticos ilustram o impacto dos reajustes nos contribuintes

Os números apresentados pelos moradores são alarmantes e refletem a dimensão do problema. Em um caso específico, um residente do bairro Jardim São Fernando viu seu imposto saltar de R$ 610 em 2025 para quase R$ 13,5 mil em 2026, o que representa um aumento impressionante de 2.113%. Segundo o relato, a prefeitura identificou no terreno uma construção avaliada em mais de R$ 1 milhão, fator que justificou a elevação drástica da cobrança.

Outro exemplo vem do Jardim Anchieta, onde um morador teve o tributo reajustado de R$ 114 para mais de R$ 2,5 mil após a inclusão de 114 m² de área construída no cálculo. O contribuinte afirmou que o levantamento realizado pela prefeitura se baseou apenas em imagens aéreas, sem corresponder à área construída real de sua propriedade, levantando dúvidas sobre a precisão da metodologia empregada.

Mesmo em situações onde não houve alteração na área construída, os reajustes se fizeram presentes. Um morador do bairro Cibratel, por exemplo, enfrentou um aumento de 29% no IPTU para 2026. A justificativa da prefeitura apontou para uma valorização do imóvel em R$ 11 mil, além de um acréscimo de R$ 400 no valor do terreno. Nas redes sociais, outros residentes compartilharam experiências semelhantes, com aumentos variando entre 20% e 30%, indicando que o fenmeno não se restringe a casos isolados.

Lei sancionada em 2025 estabelece base para os reajustes do IPTU

A reportagem apurou que uma lei sancionada em setembro de 2025 reajustou em 10% os valores unitários de metro quadrado de terreno e de construção para a cobrança do IPTU em 2026. Esta medida legal fornece a base regulatória para os aumentos, mas não explica totalmente as variações extremas observadas em alguns imóveis. A prefeitura de Itanhaém foi questionada sobre os reajustes específicos do IPTU, mas até o momento não forneceu uma resposta oficial aos questionamentos da imprensa, deixando os moradores em um estado de incerteza e insatisfação.

Os protestos e as denúncias continuam a ecoar pela cidade, enquanto os contribuintes buscam esclarecimentos e soluções para uma situação que impacta diretamente seu orçamento familiar e a tranquilidade no lar.