Falha no INSS deixa milhares de aposentados sem atendimento por paralisação dos sistemas
Milhares de aposentados e pensionistas em todo o Brasil estão enfrentando sérias dificuldades para fazer contato com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os principais canais de atendimento, incluindo o aplicativo Meu INSS, a Central 135 e o site oficial, pararam de funcionar ou apresentam instabilidades significativas, causando frustração e prejuízos aos segurados.
Problemas generalizados nos canais de comunicação
Nos últimos dias, muitos segurados que tentaram acessar o aplicativo Meu INSS se depararam com telas de carregamento intermináveis ou sistemas travados. A situação não se limitou ao ambiente digital: na Central 135, as ligações frequentemente falhavam ou, quando completadas, os usuários ficavam ouvindo uma música de espera até a conexão cair abruptamente.
Essa instabilidade foi relatada por diversos beneficiários, como a aposentada Maria Lira, de Porto Alegre, que expressou sua indignação: "Cheguei até aqui, uma filona, e não consegui nada, tudo fechado. Não tem nenhuma pessoa para dar um parecer para a pessoa. É desrespeito com a gente".
Paralisação programada e surpresa com a instabilidade
Em 6 de janeiro, a Dataprev, empresa responsável pela tecnologia da informação da Previdência Social, informou ao INSS sobre a necessidade de uma paralisação temporária dos serviços para modernizar os sistemas. A interrupção estava prevista para ocorrer entre os dias 28 e 30 de janeiro, com o objetivo de migrar dados para uma plataforma tecnológica mais atual, visando ampliar a capacidade de evolução e sustentabilidade das soluções.
No entanto, desde o dia 19 de janeiro, os segurados já vinham sofrendo com a instabilidade dos canais de atendimento, uma situação que não era esperada pelas autoridades. Em nota oficial, o INSS afirmou ter sido surpreendido com esses problemas e destacou que vem mantendo contato diário com a Dataprev para monitorar e resolver a situação o mais rápido possível.
Esforços para mitigar os impactos
Para minimizar os efeitos da paralisação, o INSS antecipou atendimentos que estavam agendados para o período crítico. Apenas no último fim de semana, mais de 21 mil atendimentos, incluindo perícias e avaliações sociais, foram realizados de forma adiantada. Apesar desses esforços, muitos beneficiários continuaram sem receber o suporte necessário, mesmo durante os mutirões organizados pelo instituto.
A Dataprev, por sua vez, explicou em comunicado que, na última semana, atuou para manter o funcionamento do Meu INSS diante de um aumento excepcional no volume de acessos – cerca de seis vezes maior que o habitual. Segundo a empresa, esse pico de demanda foi impulsionado, entre outros fatores, pela divulgação da indisponibilidade programada dos sistemas.
Prazos estendidos e novas datas para atendimento
A paralisação oficial dos serviços começou às 19h do horário de Brasília e deve se estender até o próximo dia 1º de fevereiro. Durante esse período, as agências do INSS ficarão fechadas para o público, e não haverá atendimento na Central 135, no site ou no aplicativo Meu INSS.
Para aqueles que tinham atendimentos agendados e não foram atendidos nos mutirões, o INSS informou que uma nova data poderá ser consultada a partir de 2 de fevereiro. Além disso, o instituto prorrogou o prazo para contestar descontos indevidos em pensões e aposentadorias: o limite, que terminaria em 14 de fevereiro, foi estendido até 20 de março, oferecendo um alívio temporário aos segurados afetados pela interrupção dos serviços.
Essa situação evidencia os desafios enfrentados pela administração pública na modernização de sistemas críticos, enquanto milhares de cidadãos dependem desses serviços para garantir seus direitos e benefícios sociais.