A executiva da estatal chinesa SPIC no Brasil, Adriana Waltrick, apontou a governança como o principal obstáculo para o crescimento do setor elétrico brasileiro. Durante o VEJA Fórum de Energia, realizado em São Paulo, ela afirmou que o país tem grande potencial em energias renováveis, mas enfrenta desafios regulatórios e de infraestrutura que afastam investidores internacionais.
Desafios da governança no setor elétrico
Waltrick destacou que o Brasil compete com outros 46 países onde a SPIC também atua. A morosidade dos reguladores brasileiros, como a Aneel e o ONS, atrasa a obtenção de ganhos pelas empresas, o que impacta negativamente a avaliação do país. Ela defendeu uma maior integração entre o Ministério de Minas e Energia, a Aneel e o ONS para tornar o sistema mais eficiente.
Crescimento exponencial da SPIC no Brasil
A SPIC, que investe privadamente em mais de 40 países, cresceu 70 vezes no Brasil nos últimos oito anos. A companhia possui cerca de 275 GW de capacidade instalada global, superando a geração total brasileira. Waltrick classificou o Brasil como uma 'avenida de crescimento' para a empresa.
Tempestade perfeita e demanda crescente
A executiva alertou que o Brasil vive uma 'tempestade perfeita', com juros elevados e aumento da demanda por energia elétrica. Ela citou o crescimento de 110% nas vendas de carros elétricos em março de 2026 em relação ao mesmo mês de 2025, além da chegada de data centers para inteligência artificial, que exigem mais energia.
Lições de casa para o futuro
Para que o Brasil se torne líder em energia limpa, Waltrick apontou três necessidades: melhoria da governança setorial, expansão das linhas de transmissão e fomento a soluções integradas de infraestrutura. Ela ressaltou que o país precisa pensar o setor como um conjunto de sistemas complementares.



