Libertação de ativistas da flotilha para Gaza
O governo de Israel anunciou que libertará ainda neste sábado (09) os dois ativistas detidos na última semana, o brasileiro Thiago Ávila e o espanhol-palestino Saif Abu Keshek. Ambos são integrantes da flotilha Global Sumud, que tentava romper o bloqueio israelense na Faixa de Gaza. A informação foi divulgada pela ONG israelense Adalah, que representa legalmente os ativistas.
De acordo com a Adalah, a agência de segurança interna de Israel, Shabak, comunicou à equipe jurídica da organização que os dois serão entregues às autoridades migratórias para serem expulsos do país. A libertação ocorre após forte pressão diplomática do Brasil e da Espanha, que classificaram a detenção como arbitrária e exigiram a soltura imediata dos ativistas.
Detenção e condições de cárcere
Thiago Ávila e Saif Abu Keshek foram detidos na última semana na costa da ilha grega de Creta, quando participavam da flotilha que partiu de França, Espanha e Itália com o objetivo de entregar ajuda humanitária ao território palestino. Enquanto os demais integrantes da flotilha foram levados para a ilha grega e libertados, os dois ativistas foram transferidos para Israel para serem interrogados.
A ONG Adalah denuncia que os ativistas foram submetidos a maus-tratos contínuos durante o período de detenção. Segundo a organização, eles permaneceram em isolamento total, com iluminação de alta intensidade 24 horas por dia em suas celas, e eram vendados sempre que eram transferidos, inclusive durante exames médicos. As condições de detenção foram classificadas como desumanas pela entidade.
Contexto do bloqueio a Gaza
A flotilha Global Sumud tinha como missão romper o bloqueio israelense imposto à Faixa de Gaza desde 2007. Israel controla todos os pontos de entrada no território palestino, que enfrenta uma grave crise humanitária agravada pela guerra. A ação dos ativistas visava entregar suprimentos básicos e medicamentos à população local.
Brasil e Espanha já haviam manifestado indignação com as prisões e cobrado explicações do governo israelense. A libertação dos ativistas é vista como uma vitória da diplomacia internacional, mas as denúncias de maus-tratos devem gerar novas críticas a Israel.



