Fim dos orelhões: mais de 1,3 mil aparelhos começam a ser desativados em 42 cidades
Fim dos orelhões: 1,3 mil aparelhos desativados em 42 cidades

Fim de uma era: mais de 1,3 mil orelhões começam a ser desativados em 42 cidades da região

Os icônicos orelhões, símbolos de uma época em que a comunicação dependia de telefones públicos, estão com os dias contados nas ruas brasileiras. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações, a Anatel, a partir de janeiro, mais de 1,3 mil aparelhos em 42 cidades da região serão progressivamente removidos, marcando o início do fim dessas estruturas que já foram essenciais para o cotidiano.

Distribuição dos orelhões nas cidades da região

Na região, ainda existem 1.339 telefones públicos que devem ser desativados, com uma distribuição variada entre os municípios. Araraquara lidera a lista, com 118 aparelhos, seguida por São Carlos, que conta com 107 orelhões. Outras cidades também possuem números significativos, como Araras, com 104, Rio Claro, com 95, e Leme, com 65. Em contraste, localidades menores, como Águas da Prata, Analândia, Boa Esperança do Sul, Corumbataí e outras 13 da região, mantêm apenas 15 telefones públicos ativos cada, refletindo a diminuição gradual do uso ao longo dos anos.

Contexto nacional e razões para a desativação

Em âmbito nacional, a Anatel informa que ainda permanecem 38 mil orelhões no território brasileiro. A retirada em massa começa agora devido ao término, no ano passado, das concessões do serviço de telefonia fixa das cinco empresas responsáveis pelos aparelhos: Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefonica. Com o fim dos contratos, essas empresas deixam de ter a obrigação legal de manter a infraestrutura de telefones públicos, o que acelera o processo de desativação.

No entanto, a extinção dos aparelhos não será imediata em todos os locais. Em janeiro, inicia-se a remoção em massa de carcaças e aparelhos já desativados, mas os orelhões só devem ser mantidos em cidades onde não há rede de celular disponível, e apenas até 2028, conforme determinação da agência. Esse processo já vinha ocorrendo nos últimos anos, com dados da Anatel mostrando que, em 2020, o Brasil ainda possuía cerca de 202 mil orelhões nas ruas, número que caiu drasticamente para os atuais 38 mil, evidenciando a rápida transição para tecnologias móveis.

Contrapartidas e investimentos futuros

Como contrapartida pela desativação dos orelhões, a Anatel determinou que as empresas devem redirecionar seus recursos para investimentos em redes de banda larga e telefonia móvel, tecnologias que hoje dominam a comunicação no país. Essa medida visa modernizar a infraestrutura de telecomunicações, atendendo às demandas atuais por conectividade e velocidade. Dados disponibilizados pela agência mostram que, dos orelhões remanescentes, mais de 33 mil estão ativos, enquanto cerca de 4 mil estão em manutenção, indicando que muitos já não estão em pleno funcionamento.

O desaparecimento dos orelhões representa não apenas uma mudança tecnológica, mas também cultural, encerrando um capítulo importante na história das telecomunicações brasileiras. Enquanto as cidades se adaptam a essa nova realidade, a população testemunha a transformação de paisagens urbanas que, por décadas, foram pontuadas por esses característicos telefones públicos.