Codevasf envia diretora a evento com Janja em NY enquanto barragem em MG corre risco de rompimento
Diretora da Codevasf vai a evento com Janja em NY em meio a crise de barragem

Enquanto barragem em Minas Gerais corre risco iminente de rompimento, Codevasf despacha diretora para evento com Janja em Nova Iorque

Em meio a uma situação de emergência crítica no norte de Minas Gerais, onde a Barragem das Lajes apresenta risco iminente de ruptura, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) tomou uma decisão que está gerando intensa controvérsia. A estatal, vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional do governo Lula, autorizou a viagem de sua diretora de Irrigação, Alessandra Rossin, para um evento com a primeira-dama Janja Silva na sede das Nações Unidas em Nova Iorque.

Viagem de dez dias sem pauta específica relacionada à crise mineira

A diretora da Codevasf permanecerá nos Estados Unidos por dez dias consecutivos, entre 9 e 19 de março, com todas as despesas custeadas pela estatal, incluindo passagens aéreas, seguro de viagem, diárias e remuneração integral. O evento em questão é a 70ª sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher das Nações Unidas, mas segundo fontes internas da Codevasf, não há nenhuma pauta específica relacionada à emergência da barragem mineira na agenda da servidora.

A autorização para a viagem foi publicada pela Codevasf em 11 de fevereiro, quando a situação da Barragem das Lajes, localizada a apenas 24 quilômetros da cidade de Porteirinha, já se apresentava como extremamente preocupante devido às fortes chuvas que comprometeram sua estrutura.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Codevasf afirma ter enviado técnicos enquanto crise se agrava

Em resposta a questionamentos da Agência Brasil, a Codevasf informou que disponibilizou técnicos para avaliar as condições da barragem e prestar apoio técnico no âmbito de cooperação estabelecida com o município. A estatal ressaltou que "as ações de gestão, operação e manutenção da Barragem das Lajes são de competência do município", ente empreendedor com o qual mantém termo de compromisso desde 1989.

No entanto, fontes internas da própria Codevasf descrevem a situação em Minas Gerais como um "cenário de notável negligência e inação dos órgãos que acompanham o caso", contradizendo em parte o posicionamento oficial da empresa. A barragem, que representa risco para centenas de famílias na região, continua em estado de alerta máximo enquanto a diretora da área de irrigação participa de eventos internacionais.

Contraste entre emergência nacional e compromissos internacionais

A decisão da Codevasf de permitir que sua diretora abandone o país durante uma crise de proporções potencialmente catastróficas levanta sérias questões sobre as prioridades da estatal. Enquanto comunidades mineiras vivem sob a ameaça constante de um desastre ambiental e humano, uma alta executiva do órgão responsável pelo desenvolvimento da região está a milhares de quilômetros de distância, participando de um evento sem relação direta com a emergência.

O caso exemplifica o dilema entre compromissos internacionais e responsabilidades domésticas que frequentemente desafia as instituições públicas brasileiras, especialmente quando situações de risco iminente exigem atenção total e presença física dos responsáveis técnicos.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar