Crateras e enchentes isolam assentamento Tibaji em Brasnorte, maior produtor do município
As principais vias de acesso ao Assentamento Tibaji, localizado em Brasnorte (MT), estão completamente bloqueadas desde a última terça-feira (20). O problema ocorreu após fortes chuvas na região abrirem grandes crateras nas estradas, que se transformaram em verdadeiras cascatas d'água, tornando o tráfego impossível.
Condições precárias e abandono das vias
Segundo Marcelo Raizer, presidente da Associação dos Produtores da região, o trecho já apresentava condições precárias há aproximadamente três meses, mas a situação se agravou drasticamente nesta semana. Ele destacou que as estradas vicinais Roderjan, Bom Futuro e Linha Usina estão em péssimo estado e completamente abandonadas pelas autoridades.
"Inclusive, precisei usar meu próprio maquinário e patrolar cerca de 30 quilômetros com um trator para que os produtores conseguissem passar. Mesmo assim, o serviço não dura, pois a estrada precisa ser asfaltada", relatou Raizer, demonstrando a frustração dos moradores.
Impacto econômico e social
O Assentamento Tibaji é considerado o segundo maior da América Latina, com uma área impressionante de 114 mil hectares e cerca de mil famílias residentes. Ele fica atrás apenas do assentamento de Macambira, localizado no norte do Piauí, que possui 17.016 hectares.
Mais alarmante ainda é o fato de que o assentamento é responsável por 35% da arrecadação interna do município de Brasnorte. Apesar dessa contribuição significativa, os produtores afirmam não receber o apoio necessário da gestão municipal, mesmo após diversos pedidos formais.
Os problemas de infraestrutura têm causado:
- Atrasos no transporte escolar
- Dificuldades no escoamento da produção agrícola e pecuária
- Animais chegando machucados com hematomas devido às más condições das vias
- Risco de comprometimento do retorno das aulas no próximo mês
Falta de manutenção e denúncias
Vídeos gravados por moradores da região denunciam a falta crônica de manutenção das principais vias de acesso ao assentamento. Essa negligência tem dificultado severamente o deslocamento entre a comunidade e a cidade, afetando a vida cotidiana dos residentes.
Raizer contou que vive há cinco anos no assentamento e que, apesar de solicitar à prefeitura a limpeza das redes de esgoto, o serviço nunca foi realizado. Com as chuvas, a água transborda e invade a estrada, obrigando caminhões a retornarem sem concluir suas viagens.
"Nós pedimos que fosse feita a retirada da água e a limpeza dos esgotos para evitar esse problema, mas ninguém apareceu. Os maquinários estão todos parados e, quando vêm, entregam um serviço que não dura", desabafou o produtor.
Resposta das autoridades
A prefeitura de Brasnorte informou que a Secretaria de Infraestrutura enviou equipes ao local para realizar reparos emergenciais. No entanto, não há prazo definido para a conclusão dos trabalhos devido ao acúmulo excessivo de água durante o período chuvoso.
A orientação oficial é para que a população utilize as estradas alternativas disponíveis:
- Estrada da Centro Oeste - Comunidade Mundo Novo
- Estrada da Vila Boa Esperança e Vila Nova
- Estrada da Comunidade Toca da Onça
Denúncia ao Ministério Público
O vereador Norberto Junior (PL) revelou que, em março do ano passado, denunciou ao Ministério Público irregularidades na utilização dos maquinários do município. Segundo ele, os equipamentos teriam sido empregados pela prefeitura em propriedades de outro município, enquanto Brasnorte permanecia sem atendimento adequado.
"Fiz uma denúncia ao Ministério Público relatando que os maquinários destinados ao município pela Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) estavam sendo usados em Nova Maringá para atender interesses particulares, enquanto a cidade permanecia abandonada", afirmou o parlamentar.
O Ministério Público confirmou ao g1 ter recebido a denúncia encaminhada pela Câmara de Vereadores e informou que o processo está sob análise técnica. Enquanto isso, os produtores do Assentamento Tibaji continuam dependendo de seus próprios recursos para manter as vias minimamente transitáveis, em um cenário de abandono que prejudica uma das comunidades mais produtivas da região.