CPI de Brodowski aponta distorções em documentos do Sisprev sobre investimentos no Banco Master
CPI encontra falhas em documentos do Sisprev sobre Banco Master

CPI de Brodowski identifica inconsistências em documentos do Sisprev sobre aplicações no Banco Master

Uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) que investiga a aplicação de recursos públicos de Brodowski, no interior de São Paulo, no Banco Master apresentou os primeiros questionamentos formais ao Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município, conhecido como Sisprev. Após receber a documentação solicitada à autarquia previdenciária, os parlamentares buscam agora esclarecimentos detalhados sobre a empresa de assessoria de investimentos que orientou a destinação de R$ 15 milhões para a instituição financeira, além de verificar se parte desses valores permanece ativa.

Dúvidas sobre a empresa assessora e o destino dos recursos

O presidente da CPI, vereador Renan Valente do Podemos, destacou uma contradição crucial encontrada nos documentos. "Surgiu essa dúvida de que a empresa que tem contrato com a autarquia, com a instituição, não foi a mesma que orientou essa aplicação ao Banco Master", afirmou Valente, indicando possíveis irregularidades no processo de assessoramento dos investimentos.

O Banco Master foi liquidado em novembro do ano passado após o Banco Central identificar uma grave crise de liquidez e a incapacidade da instituição de honrar compromissos com clientes e investidores. Paralelamente, a Polícia Federal conduz investigações sobre emissão de títulos falsos, manipulação contábil, gestão fraudulenta e organização criminosa envolvendo o banco.

Posicionamento do Sisprev e contexto da investigação

Procurado nesta segunda-feira (2), o Sisprev optou por não comentar os novos questionamentos da CPI. Em nota anterior, o departamento jurídico do instituto havia defendido que as decisões de investimento adotadas pelo sistema possuem respaldo técnico e estão em conformidade com a legislação que rege os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS).

A CPI foi instalada no início de fevereiro com o objetivo declarado de apurar a segurança, legalidade e regularidade dos investimentos realizados no Banco Master com recursos da previdência municipal. De acordo com o legislativo local, o relatório que deu origem à comissão menciona duas aplicações financeiras realizadas em 2024 que totalizam R$ 15 milhões.

Investigação específica sobre aplicação de R$ 3 milhões

Uma das aplicações, no valor de R$ 3 milhões, tem gerado particular preocupação entre os parlamentares. Segundo apurou a CPI, esse investimento não foi feito diretamente ao Banco Master, mas sim em fundos administrados pela instituição financeira. "O que a gente quer saber com isso? Se esses fundos foram liquidados com a liquidação do Banco Master ou se eles ainda estão ativos", explicou o presidente Renan Valente, destacando a necessidade de esclarecer o destino exato desses recursos.

O instituto de previdência municipal tem agora 48 horas para responder aos novos questionamentos apresentados pela comissão. Após esse prazo, a CPI planeja ouvir testemunhas ligadas ao Sisprev e à empresa envolvida nos investimentos controversos.

Prazos e próximos passos da investigação

Os parlamentares integrantes da comissão têm 90 dias, prorrogáveis por mais 90, para concluir as investigações e apresentar um relatório final com suas descobertas e possíveis recomendações. O caso tem mobilizado a atenção da comunidade local em Brodowski, especialmente entre os servidores públicos municipais cujos recursos previdenciários estão sob investigação.

A situação ganha contornos ainda mais complexos considerando o contexto nacional do Banco Master, cuja sede em São Paulo se tornou símbolo de uma das maiores crises financeiras recentes no setor bancário brasileiro, com investigações que se estendem por múltiplas frentes jurídicas e policiais.