Moradores de São Carlos reclamam de contas de água até 4 vezes mais caras
Contas de água sobem até 4 vezes em São Carlos, SP

Contas de água disparam em São Carlos e geram insatisfação entre moradores

Moradores do bairro Jardim Embaré, localizado em São Carlos, no interior de São Paulo, estão enfrentando um aumento significativo nas contas de água, com valores que chegam a ser até quatro vezes mais altos em comparação ao custo médio mensal. As reclamações se intensificaram devido a alterações no intervalo de leitura realizado pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), que tem sido estendido por causa dos feriados de fim de ano.

Intervalo de leitura ampliado e impactos financeiros

Normalmente, o período entre as leituras dos hidrômetros é de até 30 dias, mas em alguns casos, esse intervalo tem chegado a 38 dias. Essa mudança resulta em um consumo maior de metros cúbicos de água registrado nas faturas, o que eleva os valores cobrados. Além disso, os moradores relatam problemas frequentes de falta de água no bairro, agravando a situação de insatisfação.

O Saae explicou que o calendário de leitura segue os feriados municipais, estaduais e nacionais, conforme previsto na resolução da agência reguladora Ares-PCJ. A autarquia orienta que os usuários solicitem revisão de contas presencialmente em suas unidades e prometeu realizar uma inspeção no Jardim Embaré para investigar as causas da falta de água.

Casos específicos de moradores afetados

Marilene Mora Mendes, oficial administrativa, viu sua conta saltar de R$ 28,92 para R$ 125,28 em um curto período. "Nós moramos em duas pessoas em casa, a gente passa a maior parte do tempo fora. Vir uma conta dessas, quatro vezes a mais? Eu acho que o Saae tem que dar uma explicação para o povo daqui e tem que baixar os valores", desabafa ela.

Já Franciele Oliveira de Aquino da Silva, vendedora, pagava em média R$ 70 por mês quando morava em um apartamento e agora, em uma casa com outros dois adultos, a conta chegou a R$ 277. Ela também reclama da falta de água constante: "Aqui às 18h a gente já não tem água. No condomínio eu tinha, por causa da caixa d'água, mas aqui no bairro, a reclamação é de anos".

Sistema de cobrança e simulações de custos

O Saae baseia a cobrança em faixas de consumo, que variam conforme a quantidade de metros cúbicos utilizados:

  • Até 10 m³: R$ 2,41 por m³
  • Entre 11 m³ e 20 m³: R$ 6,05 por m³
  • De 21 m³ a 30 m³: R$ 7,77 por m³

Além disso, a taxa de esgoto é de 100% sobre o valor da água, dobrando o custo final. Uma simulação feita com as contas de Marilene mostra que, sem cálculo de média, o total a pagar seria de R$ 154,20, enquanto com a média, o valor cairia para R$ 125,08, uma economia de R$ 29,12.

Movimento de reclamações e ações da comunidade

Thiago Gialourenço Cazu, vice-presidente da Associação dos Moradores do Jardim Embaré, criou um aplicativo para coletar insatisfações e quase 90 pessoas já assinaram um abaixo-assinado. "Está sendo protocolado um ofício junto ao Saae para que eles adotem providências em relação ao bairro e os representados, para que realize uma avaliação e aplicação dos valores de forma correta e justa dentro da média histórica de consumo e de leitura", afirmou ele.

O Saae reiterou que a leitura pela média só é aplicada em casos específicos, como quando há impedimento de acesso ao hidrômetro, e enfatizou a importância dos moradores buscarem revisão presencial das contas. A inspeção prometida no bairro visa identificar possíveis vazamentos que possam estar causando a falta de água, com medidas adicionais a serem tomadas após a análise.