Prefeito de Natal reconhece falhas em bomba e atraso em obra após chuva intensa
O prefeito de Natal, Paulinho Freire (União), admitiu publicamente que houve um grave problema com uma bomba na lagoa de captação do conjunto Jardim Primavera, na Zona Norte da capital potiguar. O equipamento transbordou após fortes chuvas nesta quarta-feira (11), resultando no desalojamento de 160 famílias. Em entrevista ao Inter 1, o gestor municipal confirmou ainda um atraso na obra para consertar uma cratera no local, o que piorou significativamente o cenário de alagamentos na região.
Falta de combustível em bomba agrava situação
Segundo Paulinho Freire, a bomba da lagoa de captação apresentou falta de combustível, uma falha que ele classificou como "inconcebível" em meio a uma emergência climática. "É verdade, realmente, e eu notifiquei a empresa, disse que não tinha cabimento, numa situação dessa, a empresa que a gente aluga os geradores, faltar combustível", afirmou o prefeito. "Num momento como esse, as pessoas numa situação difícil, e a gente deixar faltar combustível numa bomba? Isso não pode", completou, demonstrando frustração com o ocorrido.
Para contornar o problema, a prefeitura colocou uma bomba adicional no local, que passou a funcionar normalmente no fim da manhã de quarta-feira. Técnicos foram enviados para avaliar a necessidade de mais equipamentos e desenvolver projetos urgentes que possam prevenir futuros transtornos para a população afetada.
Cratera em obra atrasada intensifica alagamentos
A cratera aberta na rua José Luiz da Silva, em agosto do ano passado, exacerbou os estragos causados pela chuva em Jardim Primavera. Paulinho Freire explicou que a obra de reparo começou em 15 de agosto, mas exigiu um processo de licitação devido ao valor elevado, que não podia ser coberto por contratos de manutenção existentes. "Realmente essa obra começou no dia 15 de agosto. Só que a prefeitura tem contratos de manutenção, e os contratos de manutenção da prefeitura, pelo valor da obra, não supriam", detalhou.
A licitação foi concluída em dezembro, e a obra, com duração estimada em seis meses, está em andamento. O prefeito assumiu a responsabilidade pelo atraso: "É uma obra de 6 meses. E a população, que já vem sofrendo isso ano a ano, tem toda razão de reclamar. A culpa é da prefeitura, não adianta dizer que não é".
Assistência às famílias desalojadas e medidas de compensação
A prefeitura de Natal está prestando atendimento às 160 famílias desalojadas no CMEI Frazão desde as 10h da manhã de quarta-feira. Foram distribuídos 500 almoços, montadas salas de saúde com clínico e psicólogo, e está previsto o fornecimento de jantar. Um abrigo foi estabelecido na escola Nossa Senhora da Apresentação, com duas famílias aceitando a acomodação, enquanto as demais buscaram refúgio em casas de parentes e amigos.
Até terça-feira (10), 160 cestas básicas foram entregues, com novas distribuições programadas para quinta-feira para aqueles que ainda não receberam. Paulinho Freire anunciou ainda uma medida de compensação: as famílias afetadas não pagarão IPTU em 2026 até que a obra da cratera seja concluída. "As pessoas que estão no perímetro que foram atingidas, essas 160 famílias, elas, em 2026, não vão pagar o IPTU, até que a obra fique pronta", afirmou.
Chuva recorde e outros pontos críticos na cidade
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou 140 milímetros de chuva nos primeiros 11 dias de fevereiro em Natal, superando a média histórica de 100 milímetros para o período. Além de Jardim Primavera, outros bairros enfrentaram sérios alagamentos.
Na Rua Vereador Cauby Barroca, no bairro Rocas, Zona Leste, um carro ficou praticamente submerso. Paulinho Freire informou que uma obra de drenagem no valor de R$ 10 milhões, com recursos do Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa), começará em março ou abril, com previsão de sete meses de duração. "O ano que vem eu garanto que as pessoas não vão passar por isso", prometeu.
No bairro Planalto, a Rua Antônio Freire sofre com alagamentos crônicos devido a ruas próximas de areia que entopem bueiros. A prefeitura planeja pavimentar essas vias para resolver o problema. Já na Rua Solange Nunes, em Cidade Nova, uma obra de R$ 3,5 milhões está prevista com recursos do Finisa, mas a licitação ainda não foi concluída.
O prefeito reforçou o compromisso de acelerar as soluções: "Eu transferi para lá, inclusive, a secretaria de saúde com médicos, com psicólogos, para que sejam atendidos e, se Deus quiser, em abril isso aí vai estar pronto, sanando de uma vez por todas esse problema que é um problema seríssimo".



