Câmara de Campinas vota prorrogação de contrato de transporte público por até 3 anos
Campinas vota prorrogação de contrato de transporte por 3 anos

Câmara de Campinas debate prorrogação de contrato de transporte público

A Câmara de Vereadores de Campinas, no interior de São Paulo, realiza nesta quarta-feira (8) a primeira votação de um projeto de lei complementar que visa prorrogar por até três anos o contrato vigente do transporte público coletivo na cidade. O atual acordo se encerra no dia 29 de abril, e a extensão é considerada necessária enquanto aguarda-se a conclusão do processo de licitação para uma nova concessão, que enfrenta atrasos significativos.

Propostas alternativas e questionamentos

O prazo de três anos proposto pela prefeitura, por meio da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), não é consensual. Parlamentares apresentaram emendas com períodos mais curtos: uma sugere uma prorrogação máxima de dois anos, enquanto outra propõe uma extensão inicial de seis meses, com possibilidade de renovação por igual período. Além disso, o Conselho Municipal de Mobilidade Urbana, órgão consultivo, emitiu um parecer recomendando que a administração municipal substitua o projeto por um contrato emergencial limitado a apenas 12 meses.

A Emdec justifica que o prazo de três anos foi estruturado como uma "margem de máxima segurança jurídica" para o período de transição para a nova concessão. A empresa afirma que há uma cláusula no projeto que assegura o encerramento automático do contrato assim que a licitação for concluída e os novos concessionários iniciarem a operação. "A transição está estimada entre 11 e 14 meses. A margem de segurança foi pensada para garantir a continuidade deste serviço essencial", destacou em nota.

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Licitação com histórico conturbado

O processo licitatório para definir quem operará o sistema de transporte público de Campinas pelos próximos 15 anos, prorrogáveis por mais cinco, é aguardado há mais de uma década. O atraso começou quando o Tribunal de Contas do Estado (TCE) considerou irregular a concorrência realizada em 2005. Em março deste ano, um leilão na B3, em São Paulo, definiu os vencedores preliminares, mas a Comissão de Licitação ainda analisa as planilhas enviadas pelas empresas, etapa sem prazo estipulado.

O caminho até a homologação envolve várias fases:

  1. Análise técnica da Comissão de Licitação para verificar viabilidade econômica.
  2. Publicação do julgamento do resultado.
  3. Período de três dias úteis para recursos administrativos.
  4. Homologação do processo, confirmando os vencedores.
  5. Criação das Sociedades de Propósito Específico (SPEs) pelos vencedores, em até dois meses.
  6. Assinatura do contrato de concessão com a prefeitura.
  7. Emissão da Ordem de Serviço pelo poder público em até 120 dias.
  8. Início da operação pelas empresas em até 180 dias após a ordem, incluindo aquisição de ônibus e preparação.

Posicionamento do Conselho de Mobilidade

Em reunião no dia 2 de abril, o Conselho Municipal de Mobilidade Urbana aprovou um parecer contrário à prorrogação de 36 meses. O documento recomenda a substituição por um contrato emergencial de 12 meses, argumentando que o TCE já julgou o contrato atual como irregular, o que obrigou a nova licitação. Questionada sobre essa manifestação, a Emdec informou que acompanhou a votação, mas ainda não recebeu formalmente o texto oficial da recomendação.

A empresa ressaltou que a competência para analisar a prorrogação é do Legislativo e que uma eventual divergência em relação ao parecer do Conselho não configura ilegalidade. "O CMMU é um órgão consultivo. A configuração de improbidade administrativa exige a presença de dolo e violação direta da legalidade, o que não se aplica aqui", afirmou.

Longa história de adiamentos

A nova licitação, inicialmente prevista para março de 2016, tornou-se uma verdadeira "novela" devido a uma série de obstáculos. Após a anulação da concorrência de 2005 pelo TCE, a prefeitura lançou um edital em agosto de 2019, que foi suspenso dois meses depois e barrado pela Justiça em novembro daquele ano. Com a vitória do contrato de 2005 em 2020, a administração municipal recomeçou o processo, publicando um novo edital em dezembro de 2022, já na gestão do prefeito Dário Saadi.

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Em março de 2023, o processo foi interrompido novamente pelo TCE após contestação do sindicato das empresas. Em maio do mesmo ano, o tribunal determinou a reformulação do edital com correções em 14 itens. A versão reformulada foi publicada em julho, mas a licitação realizada em setembro de 2023 foi declarada deserta, sem ofertas. A prefeitura então reiniciou o processo do zero, abrindo consultas públicas, realizando audiências e formando um Grupo de Trabalho Intersecretarial. O novo edital foi finalmente lançado em dezembro de 2025, após um longo período de contribuições e ajustes.

A votação na Câmara de Campinas representa mais um capítulo nesta complexa transição, com a cidade buscando equilibrar a necessidade de continuidade do serviço essencial de transporte com a urgência de regularizar a concessão após anos de impasses.