Série Ouro do Carnaval do Rio encerra com 8 escolas e homenagens às mulheres
Oito escolas de samba encerram neste sábado (14) a Série Ouro de 2026, a principal divisão de acesso do carnaval do Rio de Janeiro. A segunda noite apresenta velhas conhecidas da elite do samba, como Império Serrano, Estácio de Sá e Unidos do Porto da Pedra. No entanto, apenas a campeã entre as quinze agremiações participantes no total garantirá vaga no Grupo Especial em 2027, enquanto as duas piores serão rebaixadas para a Série Prata, na Intendente Magalhães.
Um dia de homenagens e celebrações
Será um dia marcado por homenagens às mulheres, com enredos que celebram Conceição Evaristo, Pombagiras, profissionais do sexo, uma artista-palhaço e balangandãs. Além disso, há exaltações ao funk, ao paisagismo e a um pioneiro do samba. Na sexta-feira (13), sete escolas já desfilaram, completando a primeira etapa da competição.
Horários e regras dos desfiles
Cada escola terá entre 45 e 55 minutos para apresentar seu carnaval na Passarela do Samba. É obrigatório levar duas ou três alegorias e pelo menos 900 desfilantes. A agremiação também precisa ter mestre-sala e porta-bandeira exclusivos, ou seja, o casal não pode desempenhar essa função em qualquer outra coirmã na Série Ouro ou mesmo no Grupo Especial. Essa condição não se aplica aos intérpretes.
As escolas da segunda noite
São oito escolas nesta segunda noite, cada uma com um enredo único e significativo:
- Botafogo Samba Clube: Floresce com as curvas e cores de Roberto Burle Marx, no enredo "O Brasil que floresce em arte".
- Arranco do Engenho de Dentro: Pretende arrancar gargalhadas com a história de Maria Eliza Alves dos Reis, a mulher por trás do palhaço Xamego.
- Em Cima da Hora: Reverencia as Pombagiras, símbolos de liberdade e poder, com "Salve Todas as Marias – Laroyê, Pombagiras!".
- Império Serrano: Mergulha nas escrevivências de Conceição Evaristo, voz potente da literatura negra brasileira.
- Estácio de Sá: Celebra Tatá Tancredo, o "Papa Negro" que uniu samba e umbanda em sua trajetória.
- União de Maricá: Destaca os balangandãs como símbolos de resistência das mulheres negras.
- Unidos do Porto da Pedra: Exalta as profissionais do sexo com acolhimento e respeito.
- Unidos da Ponte: Fecha a Avenida com o Tamborzão do funk, celebrando as raízes negras e periféricas do Rio.
Detalhes dos enredos e histórias
A Botafogo Samba Clube presta homenagem a Roberto Burle Marx, paisagista que revolucionou a forma de olhar para os jardins. O Arranco do Engenho de Dentro conta a corajosa história de Maria Eliza, que desafiou preconceitos para se tornar a primeira palhaça negra do Brasil. A Em Cima da Hora celebra a força espiritual das Pombagiras, enquanto o Império Serrano transforma a Avenida em páginas vivas da literatura de Conceição Evaristo.
A Estácio de Sá mergulha na ancestralidade afro-brasileira com Tatá Tancredo, e a União de Maricá exalta a joalheria negra como símbolo de identidade e resistência. A Unidos do Porto da Pedra aborda com sensibilidade a profissão mais antiga do mundo, e a Unidos da Ponte transforma a Sapucaí em um grande baile funk, destacando o poder cultural das comunidades.
A importância da competição
A Série Ouro representa uma das etapas mais emocionantes do carnaval carioca, onde escolas tradicionais e em ascensão lutam por uma vaga no prestigiado Grupo Especial. Com enredos que misturam arte, cultura, resistência e celebração, esta edição promete ser memorável, refletindo a diversidade e a riqueza do samba brasileiro.