Liga-SP organiza etapa crucial pós-desfiles do Carnaval paulistano
A Liga das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP) conduziu uma reunião fundamental na tarde desta segunda-feira (16) para sortear a ordem de leitura das notas do desfile do Grupo Especial. No mesmo encontro, foram julgadas as atas de punição que podem influenciar diretamente a classificação final. A tão aguardada apuração oficial está marcada para ocorrer na terça-feira (17), definindo as posições das agremiações após dois dias de intensas apresentações no Sambódromo do Anhembi.
Primeira noite: destaque para Dragões da Real, Tatuapé e Vai-Vai
Na sexta-feira, a abertura dos desfiles ficou por conta de Mocidade Unida da Mooca, Colorado do Brás, Dragões da Real, Acadêmicos do Tatuapé, Rosas de Ouro, Vai-Vai e Barroca Zona Sul. Os sambas-enredo exploraram temáticas profundas, ressaltando a força feminina, a conexão com a natureza, a espiritualidade e a valorização do trabalho. A Dragões da Real, por exemplo, impressionou com um dragão de nove metros em seu abre-alas, enquanto a Acadêmicos do Tatuapé emocionou com uma homenagem ao torcedor Thiago Arakaki, doador de órgãos.
A Rosas de Ouro, vencedora do ano anterior, enfrentou desafios adicionais: entrou na avenida com 0,5 ponto de penalidade por atraso na entrega de pastas técnicas e ainda precisou aguardar a limpeza da pista após um vazamento de óleo. A Barroca Zona Sul encerrou o primeiro dia com uma bela homenagem a Oxum, utilizando tons dourados para representar o orixá das águas doces.
Segunda noite: favoritismo e contratempos técnicos
No sábado, o Anhembi recebeu Império de Casa Verde, Águia de Ouro, Mocidade Alegre, Gaviões da Fiel, Estrela do Terceiro Milênio, Tom Maior e Camisa Verde e Branco. As apresentações foram marcadas por carros alegóricos grandiosos, com homenagens a lugares icônicos, figuras históricas e expressões religiosas. A Gaviões da Fiel apresentou o maior carro do Carnaval, com 72 metros de comprimento, representando um sonho de harmonia entre seres humanos e natureza.
Contudo, não faltaram momentos de tensão. A Tom Maior enfrentou uma pane elétrica em um de seus carros, que se apagou momentaneamente durante o desfile. Já o Camisa Verde e Branco, última escola a se apresentar, viu seu último carro parar na avenida, necessitando ser empurrado. Esse contratempo fez com que a agremiação estourasse o tempo limite de 65 minutos, completando seu desfile em 66 minutos.
Detalhes marcantes dos desfiles
Mocidade Unida da Mooca: A escola fez sua estreia no Grupo Especial homenageando o instituto Geledés, com um enredo que exaltou mulheres negras históricas e contemporâneas. A bateria realizou uma emocionante "paradona", com integrantes ajoelhados e punhos erguidos.
Colorado do Brás: Com o tema bruxaria, a agremiação apresentou um terceiro carro repleto de personagens da cultura pop, como Úrsula de "A Pequena Sereia" e a Bruxa do 71, interpretada por Fabi Bang.
Águia de Ouro: A escola celebrou Amsterdam com um enredo libertário, incluindo um "bonecão de maconha" em referência à política de cannabis na Holanda. Foi o desfile mais rápido, com 58 minutos.
Gaviões da Fiel: A homenagem aos povos originários evitou deliberadamente a cor verde, mas foi extremamente colorida. O desfile incluiu representações do Cristo Redentor usando cocar e celebrou lideranças indígenas como Sônia Guajajara.
Agora, com a ordem de leitura das notas definida e as punições julgadas, as escolas aguardam ansiosamente a apuração de terça-feira, que determinará quem levará para casa o cobiçado título do Carnaval de São Paulo.