Zé Renato brilha no Teatro Ipanema com show 'Samba e amor' e homenagem aos bambas
Na noite de 10 de março de 2026, o Teatro Ipanema, localizado no Rio de Janeiro, foi palco de uma apresentação memorável do cantor Zé Renato. O espetáculo, intitulado 'Samba e amor', faz parte do projeto 'Terças no Ipanema' e reuniu um repertório que celebra a rica tradição do samba brasileiro, com direito a homenagens emocionantes e participações especiais.
Uma herança familiar no samba
Zé Renato estruturou o roteiro do show a partir de memórias afetivas de sua infância, onde o samba sempre esteve presente. Seu pai, Simão de Montalverne, jornalista e cronista da noite boêmia, organizava serestas que contavam com a presença de ícones como Sylvio Caldas. Essa herança familiar serviu de base para uma noite repleta de devoção ao gênero e aos grandes bambas que o consolidaram.
O cantor, reconhecido como uma das vozes mais importantes da música brasileira nas últimas cinco décadas, demonstrou todo seu talento e paixão pelo samba. A apresentação foi marcada por momentos de grande intensidade emocional e técnica, destacando a evolução de sua carreira solo paralelamente ao trabalho com o grupo Boca Livre.
Participação especial e repertório diversificado
Um dos pontos altos da noite foi a participação do convidado Paulinho Moska. Juntos, os artistas interpretaram 'Cama da ilusão', única parceria entre eles, e celebraram a velha guarda com 'Dupla genial', samba de Monarco e Delcio Carvalho. A energia e o humor trazidos por Moska injetaram um calor especial na apresentação, culminando no partido alto 'Cabô' e no bis com 'Desde que o samba é samba' de Caetano Veloso.
No palco, Zé Renato contou com a companhia do percussionista Paulino Dias e do violonista Carlinhos Sete Cordas, explorando diversas vertentes do samba. O repertório incluiu desde clássicos como 'Duas horas da manhã' de Nelson Cavaquinho, interpretado com profunda melancolia, até o afrossamba 'Consolação' de Baden Powell e Vinicius de Moraes, que se destacou como o momento mais vibrante do show.
Homenagens e curadoria de excelência
O show também prestou tributo a grandes nomes do samba, com três músicas do xará Zé Ketti e duas emblemáticas parcerias de Noel Rosa com Vadico. A inédita 'A santa do Engenho Novo', composta por Zé Renato e Leonardo Lichote, foi estrategicamente inserida antes de '365 igrejas' de Dorival Caymmi, lançada há 80 anos.
A curadoria de Flávia Souza Lima para o projeto 'Terças no Ipanema' mostrou-se mais um acerto, proporcionando ao público uma experiência envolvente e autêntica. Zé Renato, verdadeiro bamba, provou que seu amor pelo samba é uma tradição familiar, transformando o Teatro Ipanema em um templo de celebração da cultura musical brasileira.



