Daniela Mercury se posiciona contra alteração no carnaval de Salvador
A renomada cantora Daniela Mercury expressou sua forte oposição à possível transferência do carnaval de Salvador para um novo circuito na região da Boca do Rio. Em uma entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira (16), a artista baiana defendeu veementemente a preservação dos trajetos tradicionais da festa, argumentando que a história da cidade deve ser um fator crucial em qualquer decisão sobre mudanças estruturais.
Defesa dos circuitos históricos
Daniela Mercury citou uma marchinha de carnaval para ilustrar seu ponto: “Daqui não saio, daqui ninguém me tira”. Ela afirmou que os circuitos Dodô (Barra-Ondina) e Osmar (Campo Grande), que concentram trios elétricos e blocos há décadas, devem se manter devido ao seu valor histórico. “Tradição não se faz da noite para o dia”, declarou, ressaltando que a cidade não pode abrir mão de sua herança cultural.
Apesar de reconhecer a necessidade de discutir soluções para problemas como engarrafamentos e superlotação, a cantora enfatizou que quaisquer alternativas devem fazer sentido do ponto de vista simbólico e cultural. “É horrível desfilar em uma avenida que não tem a menor importância histórica”, afirmou, destacando que a população e os blocos devem encontrar saídas que respeitem a identidade local.
Preocupações com mobilidade urbana
Sobre a proposta de levar parte da festa para a orla em direção à Boca do Rio e bairros como Piatã, Daniela Mercury ponderou que, embora considere a orla “linda”, tem receio quanto aos impactos na mobilidade urbana. “Eu, pessoalmente, tenho apego a áreas históricas da cidade e tenho um pouco de receio que lá para o lado de Piatã crie uma dificuldade de mobilidade na cidade”, disse, acrescentando que sua opinião é a de uma artista e não uma decisão unilateral.
Chamado para discussão ampla
A artista reforçou sua defesa dos circuitos tradicionais com uma declaração enfática: “Vou brigar pela Barra de qualquer jeito, pela Avenida Sete. Vocês vão me ver deitar no chão, mas não saio daqui”. Ela também destacou que qualquer expansão do Carnaval precisa ser discutida de forma ampla, envolvendo moradores, artistas, blocos e o poder público.
“Em relação à expansão, acho que a cidade precisa discutir o que os moradores querem, o que as pessoas acham que é bonito, incomoda. Entendo que todo mundo tem que decidir, o que não pode é um grupo pequeno decidir por toda cidade”, concluiu, defendendo um processo democrático e inclusivo para decisões que impactam a vida urbana e cultural de Salvador.



