Morre aos 87 anos Didi, lendário barbeiro de Pelé e símbolo do Santos Futebol Clube
Morre Didi, lendário barbeiro de Pelé, aos 87 anos em Santos

Falece em Santos o lendário barbeiro que moldou a imagem de Pelé e da geração dourada do Santos

O esporte brasileiro perdeu uma de suas figuras mais carismáticas e históricas nesta terça-feira (24). João Araújo, conhecido por todos como Didi, o barbeiro que por décadas cuidou das madeixas de Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, faleceu aos 87 anos na cidade de Santos, no litoral paulista. A notícia causou comoção no mundo futebolístico, especialmente entre os torcedores santistas e admiradores da era de ouro do clube.

Uma amizade que começou com um corte de cabelo e durou 66 anos

A relação entre Didi e Pelé começou em 1956, quando o então jovem promessa de 15 anos, prestes a estrear pelo Santos, entrou em seu modesto salão localizado diante do portão número 6 do estádio Urbano Caldeira, na Vila Belmiro. "Ele perguntou se eu conseguia cortar o cabelo deixando um topete. Eu respondi: 'Vamos tentar! Se você gostar, eu ganharei um cliente; se não gostar, pelo menos você terá um amigo'", recordava Didi em entrevista ao site oficial do Santos em 2018.

O corte, que se tornaria icônico, foi uma criação conjunta: a ideia partiu de Pelé, que queria homenagear seu pai, o também jogador Dondinho, mas a execução perfeita coube ao talento de Didi. O topete rapidamente se transformou em moda entre os jovens do final dos anos 1950 e início da década de 1960, simbolizando uma era de otimismo e conquistas.

Coincidências mineiras e um legado que vai além dos gramados

Dois fatores curiosos aproximaram os dois mineiros: Didi nasceu em Rio Pardo de Minas, enquanto Pelé vinha de Três Corações. Ambos chegaram a Santos no mesmo ano, criando um vínculo que resistiria ao tempo e à distância. Mesmo após se mudar da cidade, Pelé mantinha o hábito de visitar a barbearia de Didi sempre que retornava, demonstrando a força dessa amizade que só terminou com a morte do atleta em 2022.

O sucesso do Rei naturalmente atraiu outros craques do quase imbatível Santos daquela época para a cadeira de Didi. Jogadores como Coutinho, Pepe e Mengálvio tornaram-se clientes assíduos, transformando o pequeno estabelecimento em um verdadeiro ponto de encontro da equipe. A barbearia não era apenas um local para cortes de cabelo, mas um espaço de convivência, troca de experiências e construção de laços que atravessaram gerações.

Homenagens e o reconhecimento de uma vida dedicada ao futebol

Em nota oficial, o Santos Futebol Clube lamentou profundamente a morte do "lendário" Didi, reconhecendo sua importância na história do clube. Nas redes sociais, o ex-ponta esquerda Pepe (José Macia) deixou uma emocionada mensagem: "Sua barbearia, ali ao lado da Vila Belmiro, nunca foi apenas um espaço de cuidado e vaidade. Era ponto de encontro de conversas animadas, risadas e amizades que atravessaram gerações". Pepe ainda destacou a simplicidade, generosidade e disponibilidade de Didi, qualidades que o tornaram querido por todos que o conheceram.

Segundo informações de veículos de imprensa regionais, Didi sofreu uma parada cardiorrespiratória após passar por duas cirurgias. A Agência Brasil não conseguiu contato com familiares ou com o hospital onde ocorreu o óbito. Seu velório foi realizado na Beneficência Portuguesa de Santos, e seu corpo foi cremado no Memorial Necrópole Ecumênica, também na cidade litorânea.

O fim de uma era, mas a permanência de uma memória afetiva

A partida de Didi marca o encerramento de um capítulo significativo da história do futebol brasileiro. Sua figura humilde, sempre com um sorriso fácil e uma história para contar, personificava um tempo onde as relações pessoais e a simplicidade tinham lugar de destaque no esporte. A barbearia da Vila Belmiro, mais do que um comércio, era um santuário de memórias, onde se forjaram amizades e se compartilharam conquistas.

Didi deixa como legado não apenas o icônico topete de Pelé, mas a prova de que por trás dos grandes ídolos existem pessoas comuns cujo trabalho e dedicação ajudam a construir lendas. Sua história permanecerá viva nas narrativas sobre o Santos, sobre Pelé e sobre uma época dourada do futebol nacional.