Confronto físico entre MBL e estudantes marca primeiro dia de aula na Unicamp
Um grupo de integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) entrou em confronto físico com estudantes dentro da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na manhã desta segunda-feira (23), primeiro dia de aula da instituição. A universidade classificou o episódio como uma "invasão" e "ato de intimidação" contra os alunos, em um incidente que ganhou proporções violentas.
O que desencadeou o confronto
De acordo com Ronaldo Almeida, diretor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), a briga ocorreu quando estudantes tentaram conter integrantes do MBL que se mobilizavam para pintar com tinta branca o muro da biblioteca do instituto. A estrutura é estampada com grafites feitos por artistas da comunidade acadêmica, representando uma expressão cultural significativa para o ambiente universitário.
"Foi um grupo de mais ou menos oito pessoas de fora da universidade e ligadas ao MBL, numa atitude vândala", classifica o diretor do IFCH, enfatizando a natureza intrusiva da ação. Em contrapartida, o MBL afirmou em nota que entrou na universidade para "fazer a restauração de paredes pichadas", atitude que, para eles, estava amparada pela Lei de Crimes Ambientais.
Cenas de violência e agressões
Imagens registradas por pessoas que estavam no local mostram uma aglomeração em volta do mural da Biblioteca do IFCH, com algumas pessoas tentando pintá-lo. O vídeo mostra os grupos disputando uma lata de tinta branca, e um dos suspeitos passa a agredir uma pessoa com um pincel, desencadeando um confronto generalizado que se espalhou rapidamente pelo local.
Segundo Ronaldo Almeida, pelo menos três estudantes foram agredidos pelos integrantes do MBL, sendo que um deles foi chutado e precisou de atendimento médico. O professor afirma que um dos estudantes registrou um boletim de ocorrência, documentando formalmente as agressões sofridas.
"Eles começaram a agredir os nossos alunos. Jogaram tinta pra cá. Teve um [aluno] que foi chutado no chão. A boca foi ferida, o rosto [também], e foi parar no hospital. Pelo menos dois ou três foram fisicamente atingidos", relata o diretor do IFCH, detalhando a gravidade dos ferimentos.
Já o MBL afirma que também foi alvo de agressões por parte dos alunos e cita, ainda, a subtração de um celular de um dos membros do grupo durante o tumulto. "Ao perceberem nossa presença, grupos de alunos se organizaram para nos agredir e expulsar da universidade. Fomos alvo de socos, chutes e empurrões", afirmam em comunicado oficial.
Motivação política e episódios recorrentes
Para Ronaldo Almeida, há uma clara motivação política na atitude do MBL. Segundo o diretor, esse não foi um episódio isolado, sendo já o segundo registro de 2026, com outros incidentes ocorridos no segundo semestre de 2025. Diante da frequência de casos, a universidade adotou um protocolo de como agir diante dessas abordagens, mas ressalta que é a primeira vez em que há agressão física de tal magnitude.
"Os alunos não usam de agressividade, mas cercam essas pessoas, pedem com gritos para que eles recuem e nesse processo chamam a segurança do campus para agir e depois fazer uma denúncia na delegacia. Agora, o que aconteceu dessa vez, diferente do ano passado, é que eles partiram para a agressão, o que demonstra uma escalada", diz o professor, alertando para a intensificação do conflito.
Posicionamento oficial da Unicamp
A Reitoria da Unicamp emitiu um comunicado expressando repúdio à invasão e aos atos de intimidação e agressão protagonizados no campus de Barão Geraldo. A universidade destacou que episódios de invasão de qualquer natureza, filmagens não autorizadas e agressões são intoleráveis, representando uma grave afronta à democracia, à autonomia universitária e à segurança de estudantes, funcionários e docentes.
"A universidade é um espaço de pluralidade, pautado pelo diálogo, não se submetendo a ações que busquem impor interesses por meio da violência ou da coerção", afirma o comunicado, reafirmando o compromisso com a defesa incondicional da universidade pública, gratuita, inclusiva e diversa. A instituição está adotando medidas administrativas e jurídicas para identificar os envolvidos e garantir sua responsabilização.
Resposta do Movimento Brasil Livre
O MBL se manifestou por meio de mensagem enviada por um porta-voz, detalhando sua versão dos eventos: "Realizávamos a restauração de paredes pichadas no IFCH — amparados pelo Artigo 65 da Lei nº 9.605/1998 (Lei dos Crimes Ambientais). Ao perceberem nossa presença, grupos de alunos se organizaram para nos agredir e expulsar da universidade".
O movimento ainda relatou que as tintas que utilizavam foram arremessadas contra seus integrantes e que a câmera de um colaborador foi subtraída e jogada em uma área de mata, não sendo recuperada até o momento. Esta controvérsia entre as versões dos fatos destaca a polarização em torno do incidente, que continua a gerar debates sobre os limites da ação política em espaços acadêmicos.