Lenda do tênis analisa cenário atual e destaca promessa brasileira
O ex-número 1 mundial Andre Agassi, de 55 anos, retorna ao Brasil com expectativas elevadas. O americano, que conquistou praticamente todos os títulos possíveis no tênis, incluindo múltiplas vitórias em Grand Slams, está no país para uma missão especial: entregar o troféu do vencedor do Rio Open no próximo domingo, 22 de fevereiro. Em entrevista exclusiva, Agassi refletiu sobre sua carreira, o esporte moderno e reservou elogios entusiasmados para a sensação brasileira João Fonseca.
A evolução do tênis e os desafios da nova geração
Andre Agassi observa transformações profundas no estilo de jogo nas últimas décadas. "Não há dúvida de que o tênis evoluiu, mas da mesma forma que outros esportes", afirmou. "Os avanços no treinamento, na ciência do esporte, nos equipamentos, tudo isso acelerou esse processo."
O campeão explicou que, em sua época, os jogadores tinham características mais definidas e vulnerabilidades mais evidentes. "Havia jogadores maiores e mais agressivos, mas que geralmente careciam de mobilidade. Havia jogadores que eram bons batedores e se movimentavam bem, mas que careciam de potência." Segundo ele, atletas como Marat Safin começaram a mudar esse paradigma, e hoje é comum ver tenistas completos.
Agassi destacou ainda que os recursos atuais permitem carreiras mais longas. "Com todos os recursos disponíveis, especialmente para os melhores jogadores, o apoio e as equipes que os cercam realmente permitiram que eles maximizassem suas habilidades físicas e técnicas."
O confronto hipotético com as estrelas atuais
Questionado sobre como se sairia contra os atuais campeões Carlos Alcaraz e Jannik Sinner, Agassi foi humilde. "Sou muito grato por ter jogado na época em que joguei. Este é o momento deles!"
Entretanto, não poupou elogios aos dois tenistas que dominam o circuito. "A explosão do Carlos é impressionante. Ele combina muitos dos grandes atributos de Roger, Rafa e Novak. A potência dos golpes do Jannik é assustadora. A força e a consistência que ele demonstra são fora de série."
Rebeldia, redes sociais e pressão
Lembrado por seu estilo rebelde durante parte da carreira, com roupas extravagantes, cabelos longos e brincos, Agassi refletiu sobre se falta rebeldia na geração atual. "Sem dúvida, eu tinha um lado rebelde, e encontrei uma forma de expressá-lo através das minhas roupas e, digamos, dos acessórios que usava! Eram outros tempos…"
O ex-jogador demonstrou empatia pelos atletas de hoje. "Só de pensar em como seria lidar com as redes sociais hoje em dia, me arrepio. Por isso, tenho muita compaixão e empatia pelos jogadores atualmente."
Sobre sua abertura em relação às turbulências que enfrentou, incluindo uso de drogas e pressão extrema, Agassi foi filosófico. "Sempre tentei compartilhar minhas experiências na esperança de que talvez elas pudessem ajudar pelo menos uma pessoa. Se isso acontecesse, tudo teria valido a pena."
João Fonseca: a grande promessa brasileira
O ponto alto da entrevista foi a análise de Agassi sobre João Fonseca, a quem treinou durante a Laver Cup de 2025. "Eu ADORO o João! Não poderia estar mais impressionado com ele dentro e fora da quadra."
Agassi detalhou as qualidades do brasileiro: "Ele tem um arsenal poderoso e se mantém comprometido com seu jogo agressivo, independentemente do placar ou da situação, uma característica que o favorece à medida que sobe no ranking e avança em torneios maiores."
Mais do que o talento técnico, o ex-campeão destacou a maturidade de Fonseca. "Fiquei impressionado com a maturidade e o profissionalismo dele fora da quadra. Ele era como uma esponja, absorvendo tudo. Obviamente, ele tem pessoas muito boas ao seu redor."
Questionado se Fonseca tem potencial para vencer um Grand Slam, Agassi foi cauteloso mas otimista. "Procuro evitar fazer previsões. Há muitos fatores envolvidos em vencer sete partidas melhor de cinco sets em duas semanas. Mas ele parece ter todos os ingredientes. Acredito que ele pode ser um grande campeão e estou ansioso para acompanhar seu progresso."
Retorno ao Brasil e memórias afetivas
Agassi tem uma conexão especial com o Brasil, onde venceu seu primeiro torneio profissional em 1987, no ATP de Itaparica, na Bahia. "Claro, é o Brasil, é sempre memorável! E a gente nunca esquece a primeira vitória!"
O americano compartilhou lembranças emocionantes. "Tenho lembranças incríveis daquela semana, como viajar e poder compartilhar com meu irmão, Philly, e com tantos outros ao longo dos anos da minha estadia no Brasil. Adoro voltar para cá."
Sobre o Rio Open, Agassi demonstrou entusiasmo. "Ouvi falar muito bem. Sei o quanto os fãs são apaixonados por esporte e tênis. Vivenciei essa exuberância em primeira mão diversas vezes jogando contra grandes tenistas brasileiros do passado, como Guga, Fernando Meligeni, Luiz Mattar…"
E completou, antecipando o clima do evento: "Também sei que vai estar quente e úmido, e durante o Carnaval, o que imagino que vai aumentar ainda mais a energia!"
Vida após o tênis: pickleball e projetos com IA
Quase duas décadas após sua aposentadoria, Agassi retornou às quadras no ano passado para competir profissionalmente no pickleball. "Estou longe de ser um jogador profissional de pickleball. Gosto de participar de alguns eventos especiais e me desafiar, sair da minha zona de conforto e me exercitar."
Ele explicou sua abordagem: "Minha paixão pelo esporte se baseia no prazer e na diversão que ele proporciona, não na competição ou na conquista de objetivos. O pickleball tem sido uma verdadeira bênção na minha vida."
Recentemente, Agassi anunciou uma parceria com a IBM para desenvolver uma plataforma de Inteligência Artificial para esportes de raquete. "Estou muito animado com a parceria da Agassi Sports Entertainment com a IBM. Temos vários projetos interessantes em desenvolvimento com a IBM, voltados para ajudar jogadores de todos os níveis."
O ex-tenista reconheceu suas limitações tecnológicas. "Não me considero um especialista em IA ou tecnologia, e é por isso que estamos tão felizes em firmar parceria não apenas com uma líder do setor, mas também com uma empresa tão comprometida com o tênis e os esportes de raquete. As possibilidades da IA no esporte são enormes."
A volta de Andre Agassi ao Brasil não é apenas uma visita nostálgica, mas um reencontro com um país que marcou sua carreira e onde ele agora vê surgir uma nova esperança para o tênis nacional na figura de João Fonseca.