O depoimento do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foi antecipado para a próxima segunda-feira (23), às 16 horas, no Senado Federal. O anúncio foi realizado nesta quinta-feira (19) pelo presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), senador Carlos Viana, do Podemos de Minas Gerais.
Prioridade nos trabalhos da comissão
O colegiado pretende ouvir o banqueiro sobre os contratos de empréstimos consignados do Banco Master que teriam sido suspensos pelo INSS devido à falta de comprovação da anuência dos aposentados. Conforme explicou o senador Viana, o depoimento de Vorcaro, inicialmente agendado para a próxima quinta-feira (26), foi remarcado com o objetivo claro de garantir prioridade absoluta aos trabalhos da CPMI.
Ainda de acordo com o parlamentar mineiro, os trabalhos da comissão seguirão com "firmeza, responsabilidade e celeridade, colocando a verdade acima de qualquer disputa política e a justiça acima de qualquer interesse circunstancial". A declaração reforça o compromisso da investigação com a transparência e a busca por esclarecimentos.
Contexto das investigações
No último dia 5 de fevereiro, a CPMI já havia ouvido o depoimento do presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, que detalhou os motivos que levaram a instituição a decidir pela não renovação do contrato do Banco Master com o INSS para empréstimos consignados. Dos impressionantes 324 mil contratos de crédito firmados com aposentados, um total de 251 mil não possuíam os documentos exigidos pela legislação.
"Verificando a quantidade de reclamação dos nossos segurados, entendemos por bem não renovar o acordo de cooperação técnica em 18 de setembro, muito antes de liquidação de Master", afirmou Waller Júnior durante sua audiência. O presidente do INSS acrescentou que solicitou aos representantes do Banco Master a apresentação dos contratos de empréstimos consignados que não haviam sido protocolados no sistema pelo banco.
Problemas documentais graves
"Quando mostrou esses contratos, não tinha os elementos mínimos pra gente fazer o controle: não tinha o valor emprestado, taxa de juro, custo efetivo. E pior: a assinatura, que era uma assinatura eletrônica do nosso segurado, não era acompanhada do QR code, aquilo com que você consegue certificar que a assinatura era daquela pessoa", explicou o presidente do INSS, destacando falhas críticas na documentação.
Além das investigações sobre os contratos, o caso ganhou contornos adicionais com representações do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), que pedem apuração sobre a participação de autoridades em festas promovidas por Daniel Vorcaro. Esses eventos, que reuniram políticos, executivos e integrantes do Judiciário, ocorreram em meio ao avanço das apurações do caso Master, levantando questões sobre possíveis conflitos de interesse.
A antecipação do depoimento de Vorcaro demonstra a urgência que a CPMI do INSS atribui ao caso, buscando acelerar a elucidação de fatos que envolvem milhares de aposentados e recursos públicos. A sociedade aguarda com expectativa os próximos capítulos desta investigação parlamentar.