Elefante de Olinda: A história do hino que se confunde com o próprio Carnaval
O verso "Olinda! Quero cantar a ti esta canção" ecoa, a cada fevereiro, pelas ladeiras históricas da cidade patrimônio mundial, nas vozes de milhares de foliões que transformam o frevo em uma verdadeira declaração de amor à cidade. Composta há aproximadamente sete décadas, a música "Olinda nº2" ultrapassou os limites do Clube Carnavalesco Misto Elefante de Olinda, fundado em 12 de fevereiro de 1952, e se consolidou como um dos hinos mais emblemáticos do Carnaval brasileiro.
Um hino que conquistou o Brasil
Criada nos primeiros anos do clube por Clóvis Vieira e Clídio Nigro – cujo filho, Fernando Nigro, é o atual presidente da agremiação – a canção foi a sexta mais tocada no Carnaval pernambucano entre 2014 e 2024, segundo dados do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad). O historiador e coordenador de Memória do Paço do Frevo, Luiz Vinícius Maciel, ressalta que a música é conhecida nacionalmente e ajudou a construir a mística em torno do Elefante.
"A própria letra dá a entender que é uma música que honra e celebra o Carnaval de Olinda. O tamanho que esse hino tem mostra sua importância para os festejos, tanto em Pernambuco como no Brasil", afirma Maciel. "A fama do hino traduz a importância do clube para o Carnaval pernambucano."
Origens irreverentes e tradição consolidada
A história do Elefante de Olinda começa com uma brincadeira típica do Carnaval. Em 1952, um grupo de jovens teria furtado um pequeno biscuit de elefante da casa de Dona Linda, na Rua do Bonfim. A travessura inspirou a criação de uma troça que, anos depois, se transformaria em clube carnavalesco. As cores vermelho e branco foram emprestadas do Bonfim Atlético Clube, time de futebol da região.
Com o tempo, a agremiação evoluiu de troça para clube tradicional, com fantasias elaboradas, temas definidos e estrutura organizada. Reconhecido como Patrimônio Vivo de Pernambuco desde 2020, o Elefante completa 74 anos em 2026, arrastando gerações pelas ruas de Olinda.
Modernização sem perder as raízes
Sob uma nova geração de dirigentes desde 2017, o Elefante mantém o compromisso com as tradições enquanto dialoga com novos públicos. Redes sociais, identidade visual renovada e organização temática fazem parte do trabalho de revitalização. Para celebrar os 74 anos, o clube preparou dois desfiles em 2025: um no aniversário da agremiação e outro no domingo de Carnaval, com o tema "Veraneio", que resgata o período em que Olinda era destino de famílias para temporadas de descanso.
Rivalidade que virou símbolo cultural
Durante décadas, a relação entre o Elefante de Olinda e a Pitombeira dos Quatro Cantos foi marcada por rivalidade intensa. As cores vermelho e branco contra amarelo e preto dividiam ruas e corações de foliões. Hoje, segundo Célio Gouveia, da direção do Elefante, e Luiz Vinícius Maciel, a rivalidade permanece no campo simbólico, como parte da tradição, mas sem espaço para conflitos.
"A relação mais bélica ficou no passado. Hoje existe diálogo e respeito. A rivalidade simbólica ajuda a engrandecer as duas agremiações", explica Maciel.
Letra do Hino do Elefante
Ao som dos clarins de Momo
O povo aclama com todo ardor
O Elefante exaltando as suas tradições
E também seu esplendor
Olinda, este meu canto
Foi inspirado em teu louvor
Entre confetes e serpentinas
Venho te oferecer
Com alegria o meu amor
Olinda! Quero cantar a ti esta canção
Teus coqueirais, o teu sol, o teu mar
Faz vibrar meu coração, de amor a sonhar
Minha Olinda sem igual
Salve o teu Carnaval!