Nova adaptação de 'O Morro dos Ventos Uivantes' reinventa clássico com estética ousada
O novo filme 'O Morro dos Ventos Uivantes' chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (12) como uma subversão audaciosa do clássico literário de Emily Brontë, publicado originalmente em 1847. Dirigido por Emerald Fennell, a cineasta por trás do polêmico 'Saltburn', esta talvez seja a milésima adaptação para o cinema ou televisão, mas se destaca por abraçar uma abordagem visual e temática radicalmente diferente.
Uma releitura exagerada e sensual
Fennell transforma a trama gótica do século XIX, que explora temas como obsessão, luta de classes, abuso e crueldade, em uma experiência cinematográfica marcada por exageros estéticos e uma carga sexual intensa. A diretora opta por focar na relação doentia entre os protagonistas, interpretados por Margot Robbie e Jacob Elordi, e como essa dinâmica afeta aqueles ao seu redor.
Os elementos do enredo original permanecem, mas são filtrados pela visão única de Fennell, resultando em:
- Trilha sonora amplificada com violinos dramáticos
- Cenários que mesclam sonho e pesadelo
- Figurinos que remetem à alta moda parisiense
- Tensão sexual quase palpável entre os personagens
Até o melodrama característico da obra ganha contornos ainda mais intensos, embora algumas das partes mais sombrias do livro tenham sido suavizadas.
Elenco em destaque e ritmo cinematográfico
Margot Robbie entrega uma performance sólida como sempre, mas é Jacob Elordi quem realmente brilha no papel do bruto Heathcliff, redimindo-se de atuações anteriores consideradas menos impactantes. O elenco de apoio também merece atenção:
- Alison Oliver surge como revelação impressionante
- Owen Cooper, conhecido por 'Adolescência', mostra presença marcante
- Hong Chau, embora talentosa, parece um pouco deslocada em seu papel
O filme enfrenta um momento de ritmo mais lento na metade, quando a felicidade temporária dos personagens poderia cansar o espectador. Porém, a narrativa rapidamente retoma sua força, conduzindo o público até um final trágico que, curiosamente, é exatamente o que se espera de uma adaptação dessa história.
Polêmicas e discussões artísticas
Esta versão certamente dividirá opiniões. Puristas da obra original podem estranhar a abordagem, enquanto alguns críticos questionarão uma possível banalização de relacionamentos tóxicos e sofrimento. No entanto, também há espaço para defender que a arte nem sempre precisa se preocupar com convenções ou expectativas pré-estabelecidas.
O novo 'O Morro dos Ventos Uivantes' é, acima de tudo, uma experiência cinematográfica ousada que convida o público a revisitar um clássico sob uma perspectiva contemporânea e visceral. Não é o filme que os fãs mais tradicionais esperavam, mas pode ser exatamente o que o cinema atual precisa: uma reinvenção corajosa que não tem medo de chocar e provocar.