Erika Januza destaca papel de denúncia em 'Dona Beja' e celebra retorno ao Carnaval
A atriz Erika Januza, de 40 anos, está em evidência com dois projetos marcantes: o remake da novela "Dona Beja" na HBO Max e seu retorno surpresa à escola de samba Viradouro para o Carnaval 2025. Em entrevista, ela reflete sobre a importância de interpretar personagens que trazem temas sociais urgentes para a tela.
Personagem Candinha como voz contra injustiças
No folhetim que estreou na segunda-feira (2), Januza vive Candinha, uma figura influente na cidade mineira de Araxá no século XIX. A atriz descreve a trama como um "novelão para fazer refletir", com cenas fortes que denunciam violências ainda presentes na sociedade atual.
"Logo no primeiro capítulo, a Candinha sofre grande injustiça", explica Januza. "Ela representa a voz da mulher negra silenciada e humilhada que perdura por tantos anos. É arrastada em praça pública, sofre tentativa de abuso e vai para um prostíbulo."
Apesar das adversidades, a personagem mantém a esperança no amor, conforme detalha a atriz: "Ela não vai se amargurar. Se envolve numa relação amorosa que não vai adiante, pois a pessoa ama outra. Se torna uma mulher negra preterida, algo que eu sempre debato."
Cenas de intimidade e impacto social
A produção conta com cerca de 80 cenas de sexo, coordenadas por Roberta Serrado. Januza comenta sua evolução em relação a essas cenas: "Hoje estou mais tranquila com cenas de nudez e sexo. Mas antes eu ficava imaginando o que minha família iria achar. Os diretores deixam no estúdio apenas quem precisa estar, mas precisamos nos concentrar."
A atriz reforça o propósito social do trabalho: "Minhas personagens sempre me permitem fazer denúncias por meio do audiovisual. A violência contra a mulher acontecia naquela época e ainda acontece hoje. Tomara que os julgamentos e o preconceito sofridos pela personagem façam as pessoas pensarem mesmo."
Contexto da trama e espera pela estreia
Baseada na novela original de 1986 da TV Manchete, a história se passa em 1819 e acompanha Beja (Grazi Massafera), que é raptada pelo Ouvidor Joaquim Mota (Virgílio Castelo) após seu noivo Antônio (David Junior) viajar para estudar. A trama inclui:
- Boato alimentado pela irmã de Antônio, Maria (Indira Nascimento)
- Beja retorna rica e abre um bordel, chocando a sociedade
- Antônio é pressionado a casar com Angélica (Bianca Bin)
Januza revela que a produção ficou dois anos engavetada, gerando ansiedade no elenco: "A gente tinha um grupo [de WhatsApp] e sempre falava que queria que fosse logo ao ar. Lembro de muitas perguntas sobre como havia sido tal gravação. Vivi tantas outras coisas nessa espera que fiquei impactada ao rever os primeiros capítulos."
Retorno surpresa à Viradouro no Carnaval
Após quatro anos como rainha de bateria da Viradouro (2022-2025) e anunciar sua despedida em março do ano passado, Januza recebeu um convite inesperado para o Carnaval 2025. "Quando me tornei rainha, meus presidentes me disseram que não queriam um reinado muito longo. A Viradouro me pediu o cargo", relembra sobre sua saída anterior.
O retorno aconteceu de forma rápida: "A minha preparação física não existiu, porque foi tudo rápido. Vai ter de ser na base da alegria e energia mesmo. Nesse ano, vou estar num carro alegórico. Sou louca pelo Carnaval e estava triste por ficar de fora."
O samba-enredo da escola homenageará os 50 anos do mestre Ciça à frente da bateria. "Eu aceitei pela história do Ciça, com quem pude trabalhar por quatro anos", emociona-se a atriz. "Toda rainha sonha em estar ao lado dele."