Novo vídeo detalha execução de casal por policial militar em Cariacica; PM acumula denúncias
Vídeo mostra execução de casal por PM em Cariacica; histórico de denúncias

Novo vídeo revela detalhes chocantes da execução de casal por policial militar em Cariacica

Um vídeo inédito de câmera de segurança divulgado nesta terça-feira (14) mostra com precisão o momento em que o cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale atirou e matou um casal de mulheres em Cariacica, na Grande Vitória, Espírito Santo. As imagens, que repercutiram amplamente, registram desde a chegada do policial ao local até os disparos à queima-roupa contra Daniele Toneto, de 45 anos, e Francisca Chaguiana Dias Viana, de 31 anos, no dia 8 de abril.

Histórico de violência e denúncias acumuladas pelo PM

O cabo Luiz Gustavo, que ingressou na corporação em abril de 2008, acumula uma série de denúncias graves ao longo de sua carreira. Entre os casos, destacam-se uma agressão em boate em março de 2020, onde deu socos e coronhadas em um homem, resultando em fraturas no maxilar e internação de 11 dias, e a morte de uma mulher trans conhecida como Lara Croft em 2022, durante uma abordagem no bairro Alto Lage, em Cariacica. Testemunhas da época afirmam que houve execução, enquanto a PM alegou reação violenta.

Além disso, o policial é suspeito de balear um homem em abril de 2020, sendo absolvido pela Justiça Militar do Espírito Santo na acusação de lesão corporal grave, com decisão ainda passível de recurso. O Portal da Transparência do governo estadual revela que ele recebe salário líquido de R$ 7.393,36 e acumulou, ao longo dos anos, 100 dias de ausência e 264 dias de licença médica, com um afastamento mais longo de 156 dias entre janeiro e junho de 2010.

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Governador do Espírito Santo ordena afastamento total dos envolvidos

Em resposta ao caso, o governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço (MDB), confirmou nesta terça (14) que determinou a suspensão total de todos os policiais militares envolvidos no assassinato. "Determinei ao comandante da PM uma ação efetiva, imediata sobre o caso. São cenas chocantes e não vamos conviver com esse tipo de atuação que desonra a farda da PM", declarou Ferraço. Os agentes serão afastados tanto das atividades operacionais nas ruas quanto das administrativas, com recolhimento de suas armas.

O Major Torezani, em entrevista ao vivo para o Gazeta Meio Dia (TV Gazeta), afirmou que os colegas do cabo investigado já foram ouvidos e remanejados para funções administrativas, com medidas cabíveis a serem adotadas caso haja responsabilização. A Corregedoria da PM informou que apura os fatos, mas a corporação não respondeu a questionamentos do g1 sobre a saída do policial de sua função administrativa e a conduta dos agentes que o acompanharam.

Detalhes do crime e investigações em andamento

O crime ocorreu na noite de 8 de abril, no bairro Cruzeiro do Sul, após uma discussão envolvendo a ex-mulher do cabo, que ligou para ele relatando um conflito com o casal. Testemunhas indicam que a briga começou por causa de um ar-condicionado e acusações de furto de energia, apesar de as partes residirem em andares diferentes. Após a ligação, o cabo deixou seu posto de trabalho, onde atuava em função administrativa desde o caso de 2022, e foi ao local acompanhado de outros policiais.

O vídeo mostra as vítimas sentadas em um degrau na calçada quando uma viatura para em frente a elas e seis policiais aparecem, com Luiz Gustavo à frente já portando a arma. Daniele morreu no local, enquanto Francisca foi socorrida mas não resistiu. O cabo foi preso em flagrante, autuado por duplo homicídio qualificado, e está detido no Presídio Militar em Vitória. A PM informou que a arma usada pertence à corporação e que ele não tinha restrição para portá-la, apenas para exercer funções administrativas.

Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi aberto para apurar transgressões como abandono de posto e uso irregular de viatura, podendo resultar em processo administrativo. A investigação do homicídio tramita na Justiça comum. A irmã de uma das vítimas descreveu o policial como "um psicopata", afirmando que "não pode estar armado, nem nas ruas".

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