Um ano da morte de jovem em perseguição policial: mãe luta por justiça em Guarujá
Um ano da morte de jovem em perseguição policial em Guarujá

Um ano da morte de jovem em perseguição policial: mãe luta por justiça em Guarujá

Ruan Corrêa Arruda da Silva tinha apenas 22 anos quando perdeu a vida após uma perseguição policial em Guarujá, no litoral de São Paulo. Nesta sexta-feira (6), completa-se um ano desde o trágico incidente que chocou a comunidade e deixou uma família em luto. A mãe do jovem, Juliana Corrêa Arruda Felipe, de 39 anos, compartilhou com o g1 sua luta incessante por justiça, enquanto o policial responsável pelo disparo responde em liberdade e aguarda audiência.

Dor e saudade presentes todos os dias

Em entrevista exclusiva, Juliana, que trabalha como cabeleireira, descreveu o ano passado como extremamente difícil. "Nunca imaginei na vida que eu passaria por isso", afirmou ela, com voz emocionada. "A dor e a saudade estão presentes todos os dias, não tem um dia que seja menos. A maioria das madrugadas são longas, principalmente desses últimos dias". A mãe revelou que revive constantemente o momento da perda, fechando os olhos e vendo o filho morto, o que torna os dias um verdadeiro desafio emocional.

Detalhes do caso e processo judicial

O incidente ocorreu quando Ruan pilotava uma motocicleta no bairro Paecara, durante uma perseguição policial. De acordo com relatos, o policial alegou que a arma disparou "acidentalmente" fora da viatura, resultando em um tiro na cabeça do jovem. Ruan, que usava capacete, colidiu com um carro estacionado e faleceu após ser levado ao Hospital Santo Amaro, com um ferimento na têmpora esquerda. Câmeras de monitoramento flagraram o acidente, gerando comoção pública.

O policial envolvido responde a processo por homicídio e está em liberdade. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) marcou a audiência de instrução para o dia 24 de fevereiro, que definirá se ele irá a júri popular. Juliana expressou sua esperança de que o agente seja preso, destacando a importância de responsabilização. "Todo dia eu choro. Fico revivendo aquele dia o tempo todo o ano inteiro", lamentou.

Reação da família e apelo às autoridades

Revoltada com a situação, a família de Ruan esteve presente na cerimônia de encerramento da Operação Verão em 2025, um dia após a morte do jovem. Na ocasião, fizeram um apelo direto ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), pedindo justiça e maior transparência no caso. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) foi procurada para comentar, mas não se manifestou até a publicação da reportagem.

Legado e memória de Ruan

Ruan era conhecido por sua personalidade trabalhador e sonhadora. Como o mais velho de quatro irmãos, ele era considerado protetor e tinha grandes aspirações, incluindo o desejo de comprar uma casa para a avó. Durante o dia, atuava como auxiliar de campo, e à noite, trabalhava como motoboy freelancer, demonstrando independência e responsabilidade.

Juliana lembrou com carinho das características do filho: "Ele era muito independente, regrado e responsável com horário". Além disso, Ruan era engraçado e brincalhão, com paixões por futebol, videogame e, especialmente, por sua motocicleta. "Se olhar a fatura do cartão de crédito, era só apetrechos para a moto dele", contou a mãe, destacando como esses hobbies refletiam sua personalidade vibrante.

Contexto do incidente e investigações

De acordo com o boletim de ocorrência, policiais militares flagraram motociclistas realizando manobras na madrugada de quinta-feira (6), no bairro Paecara. Os suspeitos fugiram, e Ruan foi acompanhado pela equipe durante a perseguição. O boletim foi posteriormente atualizado para incluir o crime de homicídio, e o policial segue sob investigação pela morte do jovem. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas não conseguiu salvar a vida de Ruan.

Este caso ressalta questões mais amplas sobre violência policial e a busca por justiça em incidentes envolvendo autoridades. Enquanto a família aguarda a audiência marcada para fevereiro, a comunidade de Guarujá e além acompanha com atenção, esperando por um desfecho que traga algum alívio à dor de Juliana e seus entes queridos.