Policiais da DCA se tornam réus após abordagem violenta com mata-leão em pai com filho
Dois policiais civis da Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) foram formalmente denunciados e se tornaram réus após uma abordagem considerada excessivamente violenta contra um publicitário que estava com seu filho de cinco anos dentro do carro. O incidente, que chocou moradores da capital federal, ocorreu na quadra 112 da Asa Norte, em Brasília, no mês de julho do ano passado, e agora avança para a fase judicial com a responsabilização dos agentes.
Detalhes da abordagem traumática
Diego Torres, publicitário de 42 anos, narra que foi subitamente abordado por dois homens que, segundo ele, estavam em uma viatura descaracterizada. Sem identificar claramente que se tratava de policiais, Diego temeu por sua segurança e decidiu deixar o local após uma colisão leve com o veículo dos agentes. No entanto, a perseguição resultou em uma cena de extrema violência.
Os policiais, identificados como Gustavo Suppa e Victor Baracho, aplicaram uma técnica de mata-leão no publicitário, além de desferirem socos em seu rosto, tudo isso na presença de seu filho pequeno, que estava no banco do carro. Em depoimento, Diego relata que, a partir do momento em que foi jogado ao chão, perdeu completamente a visão do menino, vivendo momentos de angústia e desespero.
Consequências imediatas e isolamento dos agentes
Após a detenção, Diego Torres foi levado para uma delegacia, onde foi autuado em flagrante pelos crimes de dano, resistência e evasão do local de acidente de trânsito, sendo liberado posteriormente. Enquanto isso, seu filho de cinco anos ficou abandonado no local do ocorrido, sendo acolhido por testemunhas até a chegada da mãe da criança.
Os dois policiais envolvidos, Gustavo Suppa e Victor Baracho, estão afastados das ruas desde o episódio, exercendo funções exclusivamente administrativas dentro da corporação. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) justificou a abordagem alegando que o motorista teve um comportamento não colaborativo, necessitando do uso de algemas, mas as imagens do caso contradizem essa versão e mostram o uso desproporcional da força.
Versões conflitantes e impacto emocional
Em conversa com a imprensa, Diego Torres detalhou o trauma vivido, enfatizando o medo de não saber onde estava seu filho durante a agressão. "A partir do momento que fui jogado no chão, não consegui ver mais nada", declarou o publicitário, ressaltando o impacto psicológico tanto para ele quanto para a criança.
Já a PCDF, em nota divulgada à época, afirmou que a criança foi "acolhida por uma cidadã até a chegada da mãe", minimizando a gravidade do abandono temporário. Este caso levanta sérias questões sobre os protocolos de abordagem policial, especialmente quando há menores de idade envolvidos, e reforça a necessidade de maior transparência e responsabilidade por parte das autoridades.
Com os policiais agora na condição de réus, o processo judicial promete examinar minuciosamente as circunstâncias da abordagem, avaliando se houve excesso no uso da força e descumprimento de procedimentos operacionais padrão. A sociedade aguarda ansiosamente por um desfecho que garanta justiça e sirva de exemplo para futuras intervenções policiais.