Policiais agridem foliões após invasão de escola durante pré-carnaval em São Paulo
Policiais agridem foliões após invasão de escola em SP

Violência policial marca pré-carnaval em São Paulo após invasão de escola

Foliões foram agredidos por policiais militares com golpes de cassetete na tarde de domingo (8) após invadirem uma escola estadual na Rua da Consolação, no Centro de São Paulo. O incidente ocorreu durante a realização de dois megablocos carnavalescos — Skol e Acadêmicos do Baixo Augusta — que transformaram a via em palco de momentos de caos e superlotação.

Imagens das agressões viralizam nas redes sociais

Registros feitos por um folião e amplamente compartilhados nas redes sociais mostram jovens na área externa da Escola Estadual Professora Marina Cintra, escalando grades de ferro na tentativa desesperada de fugir da ação policial. Nas imagens, é possível observar que alguns participantes foram atingidos nas costas com golpes de cassetete mesmo após já terem deixado o interior da escola e alcançado a calçada pública.

Secretaria de Segurança Pública justifica intervenção

Procurada para se manifestar sobre o caso, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) emitiu nota informando que os foliões invadiram uma área escolar que estava fechada ao público, tornando necessária a intervenção policial. A pasta afirmou ainda que as imagens estão sendo analisadas pela Polícia Militar, mas não forneceu informações sobre possíveis feridos ou detalhes sobre as circunstâncias exatas das agressões.

Superlotação e tumulto marcam bloco com Calvin Harris

Paralelamente aos episódios de violência, a superlotação no bloco Skol — que teve como atração principal o renomado DJ escocês Calvin Harris — gerou cenas de tumulto e desespero na mesma Rua da Consolação. Dezenas de foliões precisaram ser socorridos após passarem mal devido à aglomeração excessiva.

Testemunhos revelam momentos de pânico

"Comecei a escalar o poste e subi em cima do semáforo. Fiquei esperando um tempo até acalmar. Eu olhava para baixo e via as pessoas passando mal abaixo, sendo empurradas. Quando deu uma melhorada, eu desci. Na adrenalina do momento, não senti nada, mas na hora que desci, vi que estava com a perna toda ralada. Foi desesperador, foram cenas de filme de terror", relatou Lara Faria, coordenadora de marketing de 27 anos que se machucou durante o evento.

Vídeos adicionais enviados por testemunhas mostram grades sendo derrubadas pelo empurra-empurra entre os foliões, pessoas caindo no chão e ambulantes perdendo suas mercadorias no meio da confusão generalizada.

Declaração polêmica do prefeito

Em contraste com as cenas de violência e caos, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), classificou como "um sucesso" o primeiro final de semana de pré-Carnaval na capital paulista. Em entrevista à GloboNews nesta segunda-feira (9), o gestor municipal afirmou que, "se considerarmos a quantidade de pessoas e as poucas ocorrências, a conclusão é que foi um sucesso".

Sobre os episódios específicos de superlotação e atendimento aos feridos durante o bloco Skol, Nunes minimizou a gravidade da situação, declarando que "nenhum caso foi considerado muito grave" — posicionamento que contrasta fortemente com os relatos e imagens circulantes nas redes sociais e na imprensa.

O incidente na Escola Estadual Professora Marina Cintra levanta questões importantes sobre:

  • Os protocolos de atuação policial durante grandes eventos
  • A capacidade de gestão da prefeitura em eventos de massa
  • A segurança de participantes em blocos carnavalescos superlotados
  • A transparência nas informações sobre violência durante festividades públicas

Enquanto as imagens das agressões continuam a circular e gerar indignação, autoridades seguem analisando os vídeos sem apresentar respostas concretas sobre responsabilizações ou medidas preventivas para eventos futuros.