PM dá tapa no rosto de mulher caída no chão durante ocorrência em Florianópolis
Imagens obtidas pela NSC TV nesta segunda-feira (9) revelam os hematomas e arranhões deixados no corpo de um homem e de uma mulher após serem imobilizados por policiais militares durante uma abordagem em uma barbearia no bairro Monte Cristo, em Florianópolis. As fotografias exibem marcas visíveis no rosto, nos braços e nas costas das vítimas, evidenciando a violência do episódio.
Ocorrência durante comemoração de aniversário
O caso ocorreu na tarde de sábado (7), durante a comemoração de um ano da barbearia. Vídeos publicados nas redes sociais capturam o momento em que uma mulher, já caída no chão, recebe um tapa no rosto de um policial. As imagens também mostram o homem sendo imobilizado por outro agente com uma técnica de mata-leão, gerando indignação nas redes e na comunidade local.
Testemunhas relatam covardia policial
Uma testemunha das agressões descreveu a ação como uma covardia, afirmando que os policiais simplesmente chegaram e iniciaram a violência. A mulher agredida relatou que, antes das agressões, uma viatura havia passado pelo local observando as pessoas na rua. Ela disse que se exaltou ao perceber que os policiais jogaram spray de pimenta em direção ao salão, mesmo com crianças e mulheres dentro do espaço.
“Eu joguei o copo de plástico porque tinham crianças chorando lá dentro. Mas no vídeo dá pra ver que o copo de vidro estava na mão do meu marido e caiu quando o policial apertou o pescoço dele. Eles chegaram mandando levantar a camiseta e já jogaram spray de pimenta”, contou a vítima.
Detalhes das agressões e prisões
As imagens foram borradas para preservar a identidade das pessoas envolvidas, que não quiseram ser identificadas. O homem imobilizado com um mata-leão também criticou a violência da abordagem: “Era só chamar o responsável. Não precisava jogar spray. O único copo de vidro era o meu, e ele caiu da minha mão na hora que fui defender minha mulher.”
Em entrevista à NSC, a líder comunitária Nega Grazy detalhou que os agentes pediram que o grupo levantasse a camisa e, em seguida, lançaram spray de pimenta no ambiente. Uma das imagens mostra pessoas deixando o local às pressas depois do uso do spray. “Não teve nenhum tipo de atrito com a polícia, simplesmente eles chegaram e fizeram essa covardia”, afirmou.
Como resultado da ocorrência, duas pessoas foram presas e o equipamento de som foi apreendido. Os envolvidos foram encaminhados para a Central de Polícia para os procedimentos legais cabíveis.
Versão da Polícia Militar
Segundo a PM, o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) registrou, ao longo da tarde, diversas ligações da comunidade relatando barulho excessivo. Em um dos relatos, foi mencionada a possibilidade da presença de pessoas armadas no local. A corporação afirmou que, ao ser hostilizada e diante da reação ativa de alguns indivíduos, “foi necessário o uso progressivo da força, com emprego de munição não letal e espargidor de pimenta, a fim de conter a situação e restabelecer a ordem”.
Em nota, o 22º Batalhão da PM destacou que a guarnição foi hostilizada e que houve resistência e xingamentos. “Em determinado momento, copos de vidro foram arremessados contra os policiais, colocando em risco a integridade física da guarnição”. A PMSC reafirmou seu compromisso com a legalidade e a transparência, informando que as circunstâncias relacionadas ao uso da força serão devidamente apuradas pela Corregedoria da Polícia Militar.
O episódio levanta questões sobre os protocolos de abordagem policial e o respeito aos direitos dos cidadãos, especialmente em situações que envolvem celebrações comunitárias. A comunidade aguarda os resultados da apuração interna prometida pela corporação.