Brasil registra aumento de 4,5% em mortes cometidas por policiais em 2025
O Brasil enfrentou um cenário preocupante em 2025, com um aumento significativo nas mortes cometidas por policiais em todo o país. Dados atualizados nesta terça-feira (3) e enviados pelas secretarias estaduais de Segurança Pública ao governo federal revelam que 6.519 pessoas foram mortas pelas polícias ao longo do ano, representando uma alta de 4,5% em comparação com 2024.
Bahia lidera em números absolutos e Amapá em taxa por habitante
Em uma análise detalhada por estado, a Bahia se destacou como o local com o maior número de mortes, registrando 1.569 casos. Em seguida, aparecem São Paulo, com 835 mortes, e Rio de Janeiro, com 798. No entanto, quando se considera a taxa de mortes a cada grupo de 100 mil habitantes, o Amapá assume a liderança com 17,11, seguido pela Bahia com 10,55 e Pará com 7,28.
Este crescimento contrasta com a tendência de queda nas mortes violentas no país, destacando um paradoxo na segurança pública. Em uma perspectiva de longo prazo, os números são ainda mais alarmantes: em dez anos, as polícias mataram 170% mais, evidenciando um aumento contínuo nesse tipo de ocorrência.
Queda nas mortes e suicídios de policiais
Enquanto as mortes cometidas por policiais crescem, o cenário para os próprios agentes de segurança apresenta uma dinâmica diferente. As mortes de policiais registraram uma queda de 8% em 2025, totalizando 185 casos. No entanto, o Rio de Janeiro se destaca negativamente nesse aspecto, com 77 mortes, um aumento de 35% em relação a 2024 e representando quase 42% do total nacional.
Os suicídios entre policiais também diminuíram, passando de 151 em 2024 para 131 em 2025, uma redução de 13%. Apesar da queda, os números ainda são preocupantes, indicando que um agente de segurança é vítima de suicídio a cada três dias no Brasil. São Paulo registrou uma alta de 65% nesses casos, enquanto o Rio de Janeiro teve uma queda de 60%.
Contexto histórico e composição das vítimas
Nos últimos dez anos, o Brasil perdeu 1.303 agentes de segurança pública vítimas de suicídio. A maioria desses casos envolvia policiais militares, com 865 ocorrências (64% do total), seguidos por policiais civis, com 237 casos (18%). Esses dados reforçam a necessidade de atenção à saúde mental e às condições de trabalho dos profissionais de segurança.
Os números divulgados pelo governo federal servem como um alerta para a necessidade de políticas públicas mais eficazes, que equilibrem a atuação policial com a proteção da vida, tanto de civis quanto dos próprios agentes. A Bahia, como estado com maior letalidade policial, exemplifica os desafios regionais que demandam ações específicas e monitoramento constante.